A agência reguladora dos Estados Unidos, a FDA, aprovou na última semana a primeira vacina contra influenza feita com a tecnologia de RNA mensageiro (mRNA). O imunizante, chamado mFlusiva, foi desenvolvido pela farmacêutica Moderna, mesma fabricante da vacina contra a Covid-19.
Assim como ocorreu na pandemia de coronavírus, a novidade já gera discussões, principalmente por causa da desconfiança de parte da população em relação à tecnologia de mRNA.
O que é a influenza
A influenza, também conhecida como gripe, é uma doença viral respiratória que causa cerca de 1 bilhão de casos por ano no mundo. Desses, de 3 a 5 milhões são graves. O quadro é responsável por 290 mil a 650 mil mortes respiratórias anuais. Entre crianças com menos de 5 anos, 99% dos óbitos ocorrem em países em desenvolvimento.
O vírus da influenza é envelopado e tem genoma de RNA dividido em oito segmentos. Duas proteínas se destacam em sua superfície: a hemaglutinina (H), que permite a ligação com as células, e a neuraminidase (N), que ajuda o vírus a sair das células infectadas. Por isso, os vírus recebem nomes como H1N1 e H3N2.
Como funciona a vacina atual
As vacinas tradicionais contra a gripe são produzidas com ovos de galinha embrionados. O vírus se replica nesses ovos, é coletado, inativado e preparado para virar imunizante. Esse método tem limitações logísticas, pois exige ovos estéreis em grande quantidade, e pode causar reações em pessoas alérgicas a ovo. Ainda assim, é uma vacina confiável que salva milhões de vidas todos os anos.
O que é o RNA mensageiro
O DNA, presente no núcleo das células, não produz proteínas diretamente. Para isso, ele usa uma molécula intermediária chamada RNA. O RNA mensageiro (mRNA) carrega as instruções genéticas até as estruturas celulares responsáveis por fabricar proteínas.
Uma vacina de mRNA é uma molécula sintética que contém instruções para que a própria célula da pessoa produza uma proteína do patógeno. Essa proteína age como antígeno e estimula o sistema imune. A vacina tem uma parte fixa e uma parte variável, que pode ser trocada conforme a doença ou a variante do vírus, permitindo atualizações mais rápidas que os métodos tradicionais.
O mRNA da vacina é degradado pela célula depois de cumprir sua função, assim como o mRNA natural de vírus em infecções reais. A plataforma foi desenvolvida ao longo de anos de pesquisa, o que contraria a ideia de que foi criada às pressas.
A nova vacina contra influenza
Nos testes da mFlusiva, os pesquisadores observaram que ela ofereceu maior proteção que as vacinas tradicionais. Não houve aumento na ocorrência de reações graves, apenas mais reação local no local da injeção. A vacina traz a proteína hemaglutinina de três tipos de vírus da influenza, cada um codificado em um mRNA diferente.

