Ir ao dentista durante uma infecção de dengue pode ser perigoso? A resposta é não, mas exige cautela. A doença provoca uma queda acentuada no número de plaquetas, células responsáveis pela coagulação, e aumenta a permeabilidade dos vasos sanguíneos. Por isso, procedimentos invasivos, como extrações e cirurgias, são contraindicados na fase aguda da infecção, especialmente se a contagem de plaquetas estiver abaixo de 50.000/mm³, pois o risco de hemorragia é alto.
Na fase aguda, o atendimento odontológico não é totalmente vetado. Avaliações clínicas visuais e orientações de higiene são liberadas e recomendadas. Procedimentos eletivos e invasivos devem ser adiados por até 48 horas após o fim da febre. Para retomar tratamentos de rotina, a recomendação é esperar de 14 a 21 dias após o fim dos sintomas e apresentar um hemograma completo ao dentista.
Sinais na boca
A boca pode ser um dos primeiros locais a apresentar sinais da dengue. Em até 30% dos infectados, surgem manifestações como sangramento gengival espontâneo ou após a escovação, manchas vermelhas ou roxas no palato, úlceras, crostas nos lábios e alteração no paladar, com gosto metálico. Esses sintomas são diferentes de uma gengivite comum: o sangramento da dengue tem início súbito, é desproporcional ao toque e vem acompanhado de febre, dor no corpo e prostração.
Nesses casos, o paciente deve suspender temporariamente o uso do fio dental, usar escova ultramacia e procurar atendimento médico e odontológico imediato.
Urgências na fase aguda
Em caso de urgência, como abscesso ou inflamação de canal, o protocolo exige intervenção mínima. O tratamento se limita à prescrição de analgésicos seguros, como paracetamol ou dipirona. O uso de anti-inflamatórios não esteroidais, como ibuprofeno, e ácido acetilsalicílico (AAS) é proibido, pois esses medicamentos inibem a função plaquetária e aumentam o risco de hemorragia grave.
O cirurgião-dentista deve adotar uma abordagem conservadora, focada no alívio da dor e no controle de infecções, sempre em comunicação com a equipe médica. A prática odontológica durante a dengue exige conhecimento e diálogo entre os profissionais para garantir a segurança do paciente.

