Uma droga experimental chamada diranersen (também conhecida como BIIB080) reduziu em até 65% os níveis da proteína tau no líquor de pacientes com Alzheimer em fase inicial, segundo dados preliminares da segunda fase do estudo clínico CELIA. A informação foi apresentada na última Conferência Internacional da Associação de Alzheimer e ainda não passou por revisão de outros cientistas, pois não foi publicada em periódico especializado.

    A proteína tau fica entre as células nervosas e praticamente sustenta as placas de beta-amiloide, que são os depósitos de proteínas típicos da doença e alvo dos anticorpos monoclonais recém-aprovados. Remover apenas essas placas retarda o avanço da doença, mas não cura nem reverte os prejuízos à memória ou ao comportamento.

    O último ano foi marcado pela aprovação, no Brasil e no mundo, dos primeiros medicamentos capazes de reduzir a progressão do Alzheimer, doença que afeta 1,2 milhão de brasileiros. Os protagonistas dessa nova fase são os anticorpos monoclonais, mas uma nova classe de medicamentos, os oligonucleotídeos antissensos (ASO), deve se somar ao tratamento. Esses fármacos se ligam a uma sequência específica do material genético das proteínas envolvidas no desenvolvimento da doença.

    Segundo a diretora médica da Biogen, Tatiana Branco, o diranersen age de forma diferente do lecanemabe, anticorpo monoclonal já aprovado. Enquanto o lecanemabe remove as placas de beta-amiloide e evita a formação de novas, o BIIB080 é uma pequena fita sintética que se liga ao RNA mensageiro, identifica a proteína tau e a remove do cérebro. A fórmula experimental consegue fazer essa limpeza de forma eficiente e sutil, evitando edemas e hemorragias no processo.

    O tratamento com lecanemabe, feito quinzenalmente, reduz em cerca de 27% a velocidade do avanço da doença em 18 meses, comparado a pacientes que não usaram o medicamento. Não é a cura, mas a doença demora mais a avançar, o que pode dar mais tempo de independência e ressocialização aos pacientes.

    Tatiana Branco também alerta para os sinais iniciais do Alzheimer que vão além da perda de memória. Entre pacientes diagnosticados no início, apenas 15% têm perda de memória. Alterações de comportamento, como agitação, agressividade ou introspecção, e dificuldades para tomar decisões e gerir finanças também merecem atenção médica. Uma pesquisa da USP estima que 54% dos casos de Alzheimer no Brasil poderiam ser prevenidos com o controle de doenças cardiovasculares, diabetes, perda auditiva e visual, além do combate à baixa escolaridade, ao isolamento social e ao sedentarismo.

    Fátima Watanabe

    Formada em biblioteconomia pela UFMG, Fátima Watanabe começou na sua área escrevendo artigos sobre as obras de Dante Alighieri e sua importância dentro da literatura. Hoje, Fátima passa seus dias como pesquisadora de sua área, integrando o uso de palavras-chave na pesquisa didática e ainda escreve editoriais e artigos no Revista Top Saúde.

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