Receitas caseiras para acabar com formigas em casa são comuns, mas será que funcionam? A ciência indica que a eficácia desses métodos é limitada. Eles atuam mais como repelentes temporários ou para interromper as trilhas dos insetos, mas não eliminam a colônia. Para infestações severas, pode ser necessário contratar um serviço profissional de desinsetização.

    As formigas são importantes para a natureza, mas no ambiente doméstico podem virar uma praga. Quando ocupam a cozinha, nem sempre é possível contratar uma dedetização, seja pelo custo, pelos cuidados com animais de estimação ou pela necessidade de ficar fora de casa por um período. É nesse cenário que entram as soluções caseiras, como vinagre, cravo e outros itens.

    O que os métodos caseiros fazem

    Nenhuma dica caseira elimina a colônia de formigas. Essas estratégias funcionam como repelentes ou para interromper as trilhas, dificultando a passagem dos insetos. Em casos de infestação leve, isso pode ser suficiente. Porém, em situações mais graves, as formigas tendem a encontrar novos caminhos em poucos dias, criando um ciclo em que um trajeto é eliminado e outro é aberto na sequência.

    Métodos mais comuns

    As técnicas tradicionais buscam confundir as formigas com odores fortes, o que atrapalharia a comunicação por feromônios. Entre os produtos usados estão cravo, canela em pó, vinagre, óleos essenciais de hortelã, alecrim ou capim-limão e borra de café.

    O que diz a ciência

    A evidência científica sobre essas receitas é fraca. Muitas vezes, não há estudos que comprovem a eficácia. Quando há pesquisas favoráveis, elas costumam ser feitas com uma espécie específica de formiga, que pode não ser a que invade a sua casa. Um estudo norte-americano de 2024, por exemplo, observou pouca vantagem no uso de óleos essenciais para conter a formiga-argentina (Linepithema humile), sendo o óleo de hortelã o mais efetivo entre os testados.

    Essa espécie é encontrada no sul do Brasil, mas não é a mais comum em outras regiões. Em São Paulo, predominam a formiga-fantasma (Tapinoma melanocephalum) e a formiga-louca (Paratrechina longicornis). Os resultados de um estudo com uma espécie não valem necessariamente para outra.

    Diante da falta de comprovação científica, o caminho é a tentativa e erro, sabendo que nenhum método caseiro resolve o problema por completo. Se a infestação não ceder, o recomendado é investir em um serviço profissional de desinsetização.

    Fátima Watanabe

    Formada em biblioteconomia pela UFMG, Fátima Watanabe começou na sua área escrevendo artigos sobre as obras de Dante Alighieri e sua importância dentro da literatura. Hoje, Fátima passa seus dias como pesquisadora de sua área, integrando o uso de palavras-chave na pesquisa didática e ainda escreve editoriais e artigos no Revista Top Saúde.

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