O percarbonato de sódio, um pó branco com ação alvejante, ganhou destaque nas redes sociais como produto de limpeza. Ele é formado pela união de carbonato de sódio e peróxido de hidrogênio, a conhecida água oxigenada. Quando dissolvido em água, libera essas substâncias e age na remoção de sujeira e manchas, sendo usado em sabões, alvejantes e soluções sanitizantes.
De modo geral, o produto é considerado uma alternativa segura ao alvejante de cloro. Segundo o químico Flávio Maron Vichi, professor do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), os resíduos da decomposição do percarbonato são menos tóxicos e mais amigáveis ao ambiente do que os compostos com cloro.
Riscos à saúde
Apesar de seguro quando bem utilizado, o percarbonato é um oxidante forte e exige cuidado no manuseio. Os riscos variam conforme a forma de contato. Nos olhos, pode causar queimaduras químicas e, em casos graves, perda de visão. A inalação do pó pode irritar as vias respiratórias, causando tosse e queimação na garganta. Na pele, o contato com a umidade natural pode provocar irritação e ressecamento. Se ingerido, o produto causa queimaduras na boca, esôfago e estômago, além de náuseas e vômitos.
Como usar
Recomenda-se usar luvas ao manusear o produto e evitar contato com o rosto. Em caso de acidente, a orientação é lavar a área com água corrente. Para o uso, basta misturar o pó à água, seguindo as instruções do fabricante. Um mito comum é que a água precisa estar morna para o produto funcionar. O químico Vichi afirma que isso é desnecessário e representa apenas desperdício de energia.
Um exemplo de aplicação, citado pela fabricante Calisul, inclui adicionar uma ou duas colheres de sopa do produto ao sabão na lavagem de roupas. Para manchas resistentes, pode-se fazer uma pasta com água, aplicar sobre o local e aguardar de 15 a 30 minutos antes da lavagem. Em colchões e estofados, dissolve-se uma colher em 500 ml de água e borrifa-se sobre a mancha. Em tecidos delicados, o uso é permitido em baixas concentrações, mas é recomendado testar em uma área escondida antes da aplicação completa.
Misturas e armazenamento
O percarbonato não deve ser misturado com ácidos, como vinagre ou ácido muriático, nem com palhas de aço ou outros metais, pois pode causar manchas ou reações indesejadas. A combinação com água sanitária também é perigosa, com risco de liberação de gases tóxicos. A mistura com sabão em pó costuma ser segura, mas é preciso conferir as instruções de cada fabricante.
O armazenamento deve ser feito em local fresco e ventilado. A solução de água e percarbonato não deve ser guardada em recipientes fechados, pois o produto libera oxigênio gasoso continuamente, o que pode aumentar o risco de explosões. Calor e umidade também são prejudiciais, e o pó seco exposto a temperaturas acima de 50°C pode sofrer decomposição térmica descontrolada.
Posição da Anvisa
Nesta semana, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a venda de 12 produtos de limpeza irregulares, incluindo formulações com percarbonato de sódio. A proibição, no entanto, não se refere ao composto em si, mas a produtos específicos que não atendiam às normas da agência.

