Um novo consenso internacional, publicado na revista The Lancet Diabetes & Endocrinology, traz orientações sobre quando reduzir ou suspender o uso de medicamentos anti-obesidade, como a tirzepatida (Mounjaro) e a semaglutida (Ozempic e Wegovy). O documento foi elaborado por três entidades médicas europeias e reúne as melhores evidências disponíveis sobre as chamadas “canetas emagrecedoras”.

    A obesidade é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma doença crônica, progressiva e multifatorial. Isso significa que ela exige acompanhamento contínuo, assim como ocorre com a hipertensão ou o diabetes. De acordo com o médico Fábio Moura, diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia (Sbem), a discussão sobre quando parar o tratamento é atual e não tem uma resposta fechada.

    O principal risco ao interromper o uso dos medicamentos é o reganho de peso. Um estudo recente mostrou que, depois de um ano sem a medicação, 58,4% dos usuários recuperaram o peso perdido. “Quando você para esse remédio, há um reganho de peso”, afirma Moura. A endocrinologista Marcela Chambarelli, do Hospital Samaritano Barra, explica que a suspensão retira um potente sinal de saciedade do corpo, enquanto as adaptações metabólicas que favorecem o retorno do peso permanecem.

    O consenso publicado na The Lancet indica que a decisão de manter ou reduzir as doses não deve se basear apenas no peso perdido. É preciso considerar a composição corporal, ou seja, a proporção entre massa magra e massa gorda, e a função física do paciente. Se esses indicadores estão estáveis ou melhorando, o tratamento deve continuar, com reavaliações periódicas.

    Especialistas defendem que o tratamento para obesidade deve ser para a vida toda, mas não necessariamente com o mesmo medicamento. Podem ocorrer redução de dose, troca de remédio ou associação com outras estratégias. A interrupção nunca deve ser abrupta. O desmame precisa ser gradual e individualizado, com planejamento de uma fase de manutenção antes da retirada.

    Segundo Chambarelli, essa fase de manutenção deve incluir alimentação sustentável, atividade física combinando musculação e aeróbicos, sono adequado, manejo do estresse e tratamento de transtornos alimentares, quando for o caso. A médica reforça que esses medicamentos tratam uma doença crônica e não são uma intervenção estética com data obrigatória para terminar.

    Fátima Watanabe

    Formada em biblioteconomia pela UFMG, Fátima Watanabe começou na sua área escrevendo artigos sobre as obras de Dante Alighieri e sua importância dentro da literatura. Hoje, Fátima passa seus dias como pesquisadora de sua área, integrando o uso de palavras-chave na pesquisa didática e ainda escreve editoriais e artigos no Revista Top Saúde.