A “gelatina Mounjaro” viralizou nas redes sociais como uma receita caseira que promete ajudar no emagrecimento, mas o nome pode enganar. A mistura não tem relação com o medicamento original, que utiliza a tirzepatida como princípio ativo para tratar obesidade e diabetes tipo 2.

    Diferente do que alguns conteúdos sugerem, não existe uma receita única para a “gelatina Mounjaro”. Em geral, a preparação leva gelatina, algum saborizante e uma fonte de fibras, como psyllium, linhaça ou chia. Por causa do baixo custo dos ingredientes, a combinação também ficou conhecida como “Mounjaro de pobre”. Em nenhuma versão a receita contém tirzepatida, até porque o medicamento é injetável e não possui versão oral.

    O efeito da gelatina na saciedade é limitado. O Mounjaro atua em nível hormonal, alterando a química cerebral, regulando o apetite, a glicemia e o ritmo digestivo, o que retarda o esvaziamento gástrico e reduz a fome por mais tempo. Já a receita caseira pode oferecer um auxílio modesto, pois a gelatina é fonte de proteínas e as fibras adicionadas ajudam a aumentar a sensação de saciedade no curto prazo.

    Esse efeito, porém, é moderado e dura pouco. A “gelatina Mounjaro” não se compara à ação do medicamento e não pode substituí-lo em casos de indicação profissional. Além disso, especialistas reforçam que regular o apetite é apenas uma parte do processo. Mesmo a tirzepatida, conforme a bula, deve ser usada em combinação com dieta e exercícios físicos para potencializar os resultados. Promessas de perda de vários quilos em pouco tempo com a receita caseira não passam de mentira.

    Fátima Watanabe

    Formada em biblioteconomia pela UFMG, Fátima Watanabe começou na sua área escrevendo artigos sobre as obras de Dante Alighieri e sua importância dentro da literatura. Hoje, Fátima passa seus dias como pesquisadora de sua área, integrando o uso de palavras-chave na pesquisa didática e ainda escreve editoriais e artigos no Revista Top Saúde.

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