O estado de São Paulo passa a integrar a Global Heart Attack Treatment Initiative (Ghati), uma ação internacional do American College of Cardiology para melhorar a qualidade do atendimento a pacientes com infarto. A implantação no Brasil será coordenada pela Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp).

    O infarto agudo do miocárdio é uma das principais causas de morte no país. Segundo o Ministério da Saúde, ocorrem entre 300 mil e 400 mil casos por ano no Brasil. O estado de São Paulo concentra a maior carga assistencial da doença, com mais de 40 mil internações anuais.

    O programa não introduz um novo medicamento ou técnica. O objetivo é organizar e qualificar a assistência, monitorando indicadores de qualidade. Entre eles estão a administração precoce de medicamentos recomendados, como aspirina e estatinas, e o tempo até a reperfusão da artéria obstruída.

    O foco é o infarto com supradesnivelamento do segmento ST, conhecido pela sigla Stemi, uma das formas mais graves. A meta é realizar a angioplastia primária em até 90 minutos após a chegada ao hospital. Quando isso não é possível, as diretrizes recomendam a administração de fibrinolítico em até 30 minutos.

    O eletrocardiograma deve ser feito preferencialmente nos primeiros 10 minutos após o primeiro contato com o serviço de saúde. O programa acompanha também a mortalidade hospitalar e a taxa de sobrevivência, permitindo que cada hospital compare seu desempenho com padrões internacionais.

    Na fase piloto, entre 2019 e 2021, dezoito hospitais de diferentes países participaram do projeto, com dados de aproximadamente quatro mil pacientes. Cerca de 75% receberam reperfusão dentro do tempo recomendado e mais de 94% foram submetidos à terapia de reperfusão. A adesão às diretrizes ultrapassou 90%.

    Houve uma redução absoluta de aproximadamente 2 pontos percentuais na mortalidade hospitalar. Em saúde pública, esse resultado representa centenas ou milhares de vidas preservadas quando aplicado em grandes populações. Pequenas melhorias nos indicadores costumam refletir mudanças estruturais na organização dos serviços.

    O próximo desafio é levar esses resultados para um número maior de hospitais, com diferentes perfis de infraestrutura e disponibilidade de recursos. A estratégia busca reduzir desigualdades na assistência e garantir que mais pacientes tenham acesso a um tratamento rápido e padronizado.

    Fátima Watanabe

    Formada em biblioteconomia pela UFMG, Fátima Watanabe começou na sua área escrevendo artigos sobre as obras de Dante Alighieri e sua importância dentro da literatura. Hoje, Fátima passa seus dias como pesquisadora de sua área, integrando o uso de palavras-chave na pesquisa didática e ainda escreve editoriais e artigos no Revista Top Saúde.

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