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Terapia ocupacional

Terapia ocupacional infantil: o que faz

O que faz a terapia ocupacional com crianças e no contexto escolar, como é a avaliação e como o acompanhamento pode ser pedido pelo SUS ou pelo plano.

Redação da Revista Top Saúde · Publicado em · Revisado em

Conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas, sem revisão clínica. As fontes estão listadas no fim da página.

Profissão
Terapia ocupacional
No SUS
atenção básica e serviços especializados
Revisado em
28/10/2026
Terapia ocupacional não é fisioterapia: são profissões distintas, com o mesmo conselho. Diferença entre terapia ocupacional e fisioterapia

O que a área trata

A terapia ocupacional com crianças olha para a participação da criança nas ocupações próprias da infância: brincar, aprender, cuidar de si, comer, vestir-se, descansar, conviver com outras crianças e com adultos. A pergunta de fundo da profissão é como a criança participa da própria rotina, no ambiente da família e fora dele, na escola e na comunidade, e o que facilita ou dificulta essa participação.

O Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, o COFFITO, tem uma especialidade dedicada à escola: a Terapia Ocupacional no Contexto Escolar, reconhecida pela Resolução COFFITO nº 500/2018. A resolução diz que o terapeuta ocupacional é o profissional competente para avaliar e intervir no desempenho ocupacional do estudante no contexto escolar, identificando as demandas e intervindo para que o estudante realize as suas atividades nos espaços de aprendizagem e de convivência. A atuação pode acontecer em escola regular ou especial, em salas multifuncionais e em outros contextos educacionais, e inclui colaborar para a implementação das políticas de inclusão escolar.

A mesma resolução descreve as áreas de desempenho que a terapia ocupacional considera na escola: educação, brincar, lazer, participação social, atividades de vida diária, atividades instrumentais de vida diária, descanso e sono. E cita, entre os conhecimentos da área, os recursos de tecnologia assistiva e de comunicação, a acessibilidade na escola e as adaptações razoáveis. A Resolução COFFITO nº 316/2006, por sua vez, inclui, no uso da tecnologia assistiva nas atividades de vida diária, promover adaptações de jogos, brincadeiras e brinquedos e utilizar sistemas de comunicação alternativa.

A base legal da profissão é o Decreto-Lei nº 938/1969, que reconhece a terapia ocupacional como profissão de nível superior, e a Lei nº 6.316/1975, que criou o COFFITO e os conselhos regionais.

Terapia ocupacional no acompanhamento de crianças autistas

Uma pergunta frequente é o que a terapia ocupacional faz no acompanhamento de crianças autistas. A resposta passa pela atribuição da profissão, e não por um método.

A Linha de Cuidado para Pessoas com Transtorno do Espectro Autista, publicada pelo Ministério da Saúde em 2025, diz que o diagnóstico é um processo multiprofissional e inclui a terapia ocupacional entre as áreas que participam da avaliação, ao lado da medicina, da enfermagem, da psicologia, da fisioterapia, da fonoaudiologia e do serviço social, e registra que o cuidado não deve esperar o fechamento de um diagnóstico para começar. A Portaria GM/MS nº 635/2023 inclui o terapeuta ocupacional entre as categorias que podem compor as equipes multiprofissionais da atenção primária.

No acompanhamento, o terapeuta ocupacional faz com a criança autista o que a profissão faz com qualquer criança: avalia como ela participa da rotina, do brincar, do autocuidado e da escola, define objetivos individuais e acompanha o andamento, em conjunto com a família e com os outros profissionais, no projeto terapêutico construído pela equipe. O que isso significa para cada criança é definido na avaliação. Este site não lista características, não indica método e não promete resultado. A Lei nº 12.764/2012 considera a pessoa com transtorno do espectro autista pessoa com deficiência, para todos os efeitos legais, e a página diagnóstico de autismo é multiprofissional explica o caminho do diagnóstico.

De onde vem a queixa e quem avalia

A queixa costuma chegar pela família, pela escola, pelo pediatra ou pela equipe que já acompanha a criança. Muitas famílias chegam depois de um pedido da escola, tema tratado em escola pediu avaliação, e agora. Também chegam famílias de crianças que já têm um diagnóstico e foram encaminhadas pela equipe que as acompanha, e famílias de crianças que voltaram para casa depois de uma internação longa.

O que está por trás da preocupação é o que a avaliação examina. A família não precisa chegar com uma hipótese nem saber descrever a dificuldade com termos técnicos, e a queixa, sozinha, não diz o que a criança tem. Quem avalia é o terapeuta ocupacional habilitado, e é ele quem diz, depois de ver a criança, se há algo a acompanhar.

O que levar para a primeira consulta

  • a Caderneta da Criança e o pedido de encaminhamento, se houver;
  • o bilhete ou o relatório da escola e relatórios de outros profissionais;
  • anotações da família, com as próprias palavras, sobre o que motivou a procura;
  • as perguntas escritas, para não esquecer nenhuma na hora.

Como costuma ser a avaliação

A avaliação costuma começar pela conversa com a família sobre a história da criança, a rotina, a escola e o que motivou a procura. Relatórios da escola e de outros profissionais costumam ajudar.

Depois, o terapeuta ocupacional observa a criança em atividade, em geral brincando, e pode usar instrumentos padronizados de avaliação, escolhidos conforme o caso. A Resolução COFFITO nº 500/2018 cita os instrumentos de mensuração e avaliação relacionados ao contexto escolar entre os conhecimentos da especialidade. Quando é pertinente e com autorização da família, a avaliação pode incluir a observação na própria escola ou a conversa com os professores.

Ao final, a família recebe a devolutiva: o que foi observado, se há indicação de acompanhamento e, se houver, como ele costuma ser organizado, com que objetivos e como a escola participa. O andamento é reavaliado em momentos combinados com a família.

Com que especialidade se relaciona

O COFFITO reconhece 7 especialidades de terapia ocupacional: Acupuntura, Contextos Sociais, Saúde da Família, Saúde Mental, Contextos Hospitalares, Gerontologia e Contexto Escolar. A que trata diretamente da escola é a Terapia Ocupacional no Contexto Escolar, da Resolução COFFITO nº 500/2018. Conforme o caso, a atuação com crianças também se aproxima da Saúde Mental, de Contextos Hospitalares, quando a criança está internada, e da Saúde da Família, na atenção primária.

O título de especialidade é concedido pelo COFFITO, com número de RQE, e pode ser conferido na consulta pública do COFFITO. Cursos livres sobre métodos não equivalem a título. Todo terapeuta ocupacional habilitado, inscrito no conselho regional, pode atender crianças. A página o que faz um terapeuta ocupacional explica a profissão.

O que perguntar na primeira consulta

Perguntas que ajudam a família a entender o processo, todas sobre o trabalho do profissional:

  • Como vai ser a avaliação e que situações da rotina da criança serão observadas?
  • A avaliação inclui conversa com a escola ou observação no ambiente escolar? Com que autorização?
  • Que abordagem o profissional costuma usar e por quê?
  • Como os objetivos do acompanhamento são definidos e de que forma o andamento é reavaliado?
  • Como o terapeuta ocupacional se comunica com os outros profissionais que acompanham a criança?
  • O atendimento pode ser feito pelo SUS ou pelo plano de saúde?

O caminho pelo SUS

Pelo SUS, a porta de entrada é a unidade básica de saúde, onde a criança costuma ser acompanhada na puericultura. A equipe da unidade recebe a queixa, inclusive quando ela vem da escola, e organiza o encaminhamento quando há indicação. A atenção primária pode contar com terapeuta ocupacional nas equipes multiprofissionais, conforme a organização do município.

O encaminhamento para atendimento especializado segue a regulação da secretaria municipal de saúde. Um dos pontos da rede é o Centro Especializado em Reabilitação, o CER, previsto na Portaria de Consolidação GM/MS nº 3/2017. O fluxo varia por município, e o caminho está descrito em terapia ocupacional pelo SUS e em o que é o CER.

Na escola, o Decreto nº 12.686/2025, com redação do Decreto nº 12.773/2025, diz que o atendimento educacional especializado não substitui a matrícula na classe comum (art. 8º) e não será condicionado à exigência de diagnóstico (art. 11, § 7º), e que o profissional de apoio independe de laudo (art. 14, § 2º). Os direitos escolares estão reunidos em direitos da criança com deficiência na escola.

No particular e pelo plano de saúde, a avaliação é feita por terapeuta ocupacional inscrito no CREFITO da região. As regras de cobertura estão em plano cobre terapia ocupacional.

Em todos os caminhos, o que acontece depois da avaliação é definido pelo terapeuta ocupacional que avaliou, junto com a família e com a equipe. Esta página descreve a área e não substitui essa conversa.

Perguntas frequentes

O que a terapia ocupacional faz com crianças?
Avalia e acompanha a participação da criança nas ocupações do dia a dia, como brincar, aprender, cuidar de si, descansar e conviver. A Resolução COFFITO 500/2018 lista essas áreas de desempenho ao tratar da atuação no contexto escolar.
O que a terapia ocupacional faz no acompanhamento de crianças autistas?
A linha de cuidado do Ministério da Saúde para pessoas com TEA, de 2025, inclui a terapia ocupacional na avaliação multiprofissional, e a Portaria GM/MS 635/2023 inclui o terapeuta ocupacional entre as categorias das equipes multiprofissionais da atenção primária. No acompanhamento, o terapeuta ocupacional atua sobre a participação da criança na rotina, no brincar, no autocuidado e na escola, com objetivos definidos na avaliação e articulados com a equipe e a família. O site não indica método nem promete resultado.
A criança precisa de diagnóstico para ter apoio na escola?
O Decreto 12.686/2025 diz que o atendimento educacional especializado não será condicionado à exigência de diagnóstico. As regras da escola estão explicadas na página sobre direitos da criança com deficiência na escola.
Como conseguir terapia ocupacional infantil pelo SUS?
O caminho começa na unidade básica de saúde, onde a criança é acompanhada na puericultura. Havendo indicação, o encaminhamento segue a regulação do município e pode levar ao Centro Especializado em Reabilitação.

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