Alimentos como pão e leite são frequentemente citados nas redes sociais como vilões que causam inflamação no corpo. No entanto, a nutricionista Lara Natacci alerta que essa fama é injusta e simplifica um tema complexo. A inflamação é uma resposta natural do organismo, essencial para a defesa e recuperação do corpo, e não deve ser usada como explicação para qualquer desconforto, cansaço ou inchaço.

    O problema ocorre quando essa resposta se torna crônica e silenciosa. De acordo com a especialista, o que realmente favorece um estado inflamatório persistente não é um alimento isolado, mas o conjunto da rotina. Dormir mal, viver sob estresse constante, ser sedentário, consumir álcool em excesso e ter uma alimentação pobre em frutas, verduras, legumes e grãos integrais são fatores que contribuem mais para a inflamação do que um ingrediente específico.

    Riscos da demonização

    A demonização de alimentos pode levar a restrições desnecessárias e ao empobrecimento nutricional. Pessoas passam a retirar leite, glúten, café e carboidratos da dieta acreditando que estão se protegendo, mas muitas vezes o efeito é o contrário: a alimentação fica menos diversa e mais pobre em nutrientes importantes. Exceções existem para quem tem doenças como celíaca ou alergia à proteína do leite, que exigem diagnóstico e orientação individualizada, mas transformar essas exceções em regra para todos é um erro.

    Uma alimentação com potencial anti-inflamatório não nasce do medo, mas da qualidade. Ela inclui um prato variado e colorido, com verduras, legumes, frutas, feijões, azeite, castanhas, cereais integrais, peixes e ovos. Além disso, ter uma boa noite de sono, praticar atividade física, manejar o estresse e manter uma relação menos ansiosa com a comida são práticas que ajudam a reduzir a inflamação no corpo.

    A pergunta mais importante não é se um alimento específico inflama, mas sim como está o estilo de vida como um todo. Nenhum alimento isolado deveria carregar a culpa por uma rotina inteira. A ciência não pede que se tenha medo da comida, mas que se olhe para o contexto geral da alimentação e dos hábitos diários.

    Fátima Watanabe

    Formada em biblioteconomia pela UFMG, Fátima Watanabe começou na sua área escrevendo artigos sobre as obras de Dante Alighieri e sua importância dentro da literatura. Hoje, Fátima passa seus dias como pesquisadora de sua área, integrando o uso de palavras-chave na pesquisa didática e ainda escreve editoriais e artigos no Revista Top Saúde.

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