Um estudo publicado na revista Annals of Neurology indica que os níveis de vitamina B12 considerados normais em exames de sangue podem não ser suficientes para proteger a saúde neurológica de pessoas com mais de 60 anos. A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, e analisou amostras de sangue de 231 idosos saudáveis, com idade média de 71,2 anos.

    Os resultados mostraram que mesmo voluntários com níveis considerados adequados da vitamina apresentavam alterações neurológicas associadas à sua deficiência. Segundo os pesquisadores, a vitamina B12 circula no sangue em duas formas: a holotranscobalamina, que é ativa e aproveitada pelo organismo, e a holo-haptocorrina, que é inativa. Idosos com menor quantidade de B12 ativa tiveram pior desempenho em testes de velocidade de processamento cerebral e percepção visual.

    Exames complementares feitos com esses voluntários revelaram um volume maior de microlesões na substância branca do cérebro e concentrações mais altas de proteína tau no sangue, um marcador ligado ao risco de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer. O artigo sugere que ter uma proporção grande de B12 inativa pode ser tão prejudicial quanto não consumir a vitamina em quantidade suficiente. Nesses casos, exames mais específicos, que medem a atividade da B12, podem ser necessários.

    A geriatra Tatianna Rozzino, do Hospital Israelita Einstein, afirma que o monitoramento dos níveis do nutriente é importante, principalmente em pacientes idosos. Ela observa que muitos têm uma visão negativa de suplementos, mas que eles podem ser úteis para evitar problemas de saúde, especialmente quando a alimentação fica comprometida.

    A médica também lembra que mudanças físicas e sociais do envelhecimento afetam a dieta. Alimentos de origem animal, principais fontes de B12, podem ser difíceis de mastigar e acabam sendo deixados de lado. A diminuição do apetite e a falta de disposição para cozinhar também contribuem para uma alimentação pobre em nutrientes. Rozzino ressalta que qualquer mudança na dieta ou uso de suplementos deve ser feita com orientação de um profissional de saúde.

    Fátima Watanabe

    Formada em biblioteconomia pela UFMG, Fátima Watanabe começou na sua área escrevendo artigos sobre as obras de Dante Alighieri e sua importância dentro da literatura. Hoje, Fátima passa seus dias como pesquisadora de sua área, integrando o uso de palavras-chave na pesquisa didática e ainda escreve editoriais e artigos no Revista Top Saúde.

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