Um estudo recente associou pequenas mudanças na rotina diária a uma redução de até 7% no risco de desenvolver 13 tipos de câncer. A pesquisa, publicada na revista BMC Medicine, analisou dados de quase 60 mil pessoas do Reino Unido, com média de 61,7 anos, cadastradas no UK Biobank.

    Os voluntários foram acompanhados por oito anos. Durante esse período, 2,8 mil deles (4% do total) desenvolveram algum tipo de tumor. Na média, os participantes passavam 7 horas e 39 minutos dormindo, 11 horas e 13 minutos em comportamento sedentário, 4 horas e 17 minutos em pé e apenas 51 minutos em movimento por dia.

    Os resultados mostraram que quem desenvolveu câncer acumulou menos tempo em movimento e em pé, além de mais tempo sedentário. Por outro lado, trocar 15 minutos de sono ou de sedentarismo por 15 minutos de movimento, de qualquer forma, reduziu o risco em cerca de 2%. Ficar 30 minutos em pé em vez de deitado teve efeito semelhante.

    Os tipos de câncer associados à proteção foram os de bexiga, cólon, endométrio, estômago, cabeça e pescoço, rim, fígado, pulmão, reto, mieloma, adenocarcinoma esofágico e leucemia mieloide.

    Intensidade do exercício

    A proteção aumenta com a intensidade do esforço. Atividades moderadas a vigorosas, como caminhada rápida, corrida ou ciclismo, protegeram mais do que outras substituições. Entre os mais ativos, o acréscimo de apenas três minutos diários de atividades vigorosas já foi associado a uma queda mensurável no risco.

    O exercício leve também ajuda, mas exige mais tempo para produzir o mesmo efeito: mais de 90 minutos por dia para alcançar o benefício.

    Segundo Paulo Bergerot, oncologista da Oncoclínicas, os mecanismos prováveis para explicar a relação entre atividade física e redução do risco de câncer incluem a melhor regulação de inflamação crônica, de hormônios como insulina e estrogênio, composição corporal, função imune e metabolismo.

    O médico destaca que estudos anteriores já apontavam reduções de 8% a 25% nas chances de desenvolvimento de tumores entre praticantes regulares de atividade física. “Este estudo novo reforça isso com dados objetivos sobre movimento, não apenas autorrelatados, e mostra que até mudanças modestas no dia a dia se associam a menor incidência de câncer”, comenta.

    A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é praticar 150 a 300 minutos semanais de atividade física moderada, ou 75 minutos de atividade vigorosa. No entanto, a análise mostra que benefícios aparecem mesmo entre quem não atinge os valores ideais.

    “Qualquer movimento é melhor que nenhum”, considera Bergerot. “O estudo reforça que precisamos sair do paradigma de que só conta se forem 150 minutos e adotar uma visão de 24 horas: ao longo de todo o dia, devemos nos mover mais, sentar menos e, quando possível, incluir intensidade”, resume o oncologista.

    Fátima Watanabe

    Formada em biblioteconomia pela UFMG, Fátima Watanabe começou na sua área escrevendo artigos sobre as obras de Dante Alighieri e sua importância dentro da literatura. Hoje, Fátima passa seus dias como pesquisadora de sua área, integrando o uso de palavras-chave na pesquisa didática e ainda escreve editoriais e artigos no Revista Top Saúde.

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