A crescente atenção à proteína na alimentação dos brasileiros tem deixado as fibras de lado, nutriente essencial para a saúde que ainda é consumido em quantidade abaixo do recomendado pela maioria da população. A constatação é de um artigo publicado na revista Veja Saúde.

    Basta entrar em um supermercado para perceber que vivemos a era da proteína. Ela está presente em barrinhas, iogurtes, cafés prontos, cereais matinais, sobremesas e até na água. As redes sociais transformaram a pergunta “quanto tem de proteína?” quase em um reflexo automático.

    No entanto, a pergunta que raramente se faz é: onde estão as fibras dessa refeição? A proteína é importante para preservar a massa muscular, promover saciedade e exercer funções essenciais no organismo. Em uma população que envelhece e com o uso de medicamentos para obesidade, discutir o consumo de proteína faz sentido. O problema começa quando um nutriente ocupa tanto espaço que faz os outros desaparecerem da conversa.

    Enquanto se debate se um alimento tem 15 ou 20 gramas de proteína, a maioria dos brasileiros continua consumindo muito menos fibras do que o recomendado. As fibras ajudam no controle da glicemia, contribuem para reduzir o colesterol, aumentam a saciedade e alimentam a microbiota intestinal, que influencia o metabolismo, a imunidade e outros processos do organismo.

    Na prática, aumentar o consumo de fibras é mais simples e barato do que se imagina. Elas já estão presentes em alimentos comuns na mesa do brasileiro: feijão, aveia, frutas, verduras, legumes, arroz integral, milho, sementes e castanhas. Um dia de alimentação pode facilmente reunir boas fontes de fibras: aveia e uma fruta no café da manhã; feijão e folhas verdes no almoço; uma fruta no lanche; e legumes e verduras no jantar.

    A obsessão pela proteína pode, em alguns casos, produzir o efeito contrário ao desejado. Quando frutas dão lugar a shakes, quando feijão é substituído por suplementos ou quando cereais integrais perdem espaço para produtos enriquecidos, a dieta pode até ganhar proteína, mas perde diversidade. A ciência mostra que uma alimentação saudável não depende de um único nutriente, mas da combinação de alimentos, do equilíbrio entre eles e da constância dos hábitos.

    Isso vale também para quem utiliza medicamentos agonistas de GLP-1 e GIP, conhecidos como canetas emagrecedoras. Nesses casos, aumentar a ingestão de proteínas é importante para preservar a massa muscular. Porém, reduzir o volume das refeições torna ainda mais necessário escolher alimentos ricos em fibras, vitaminas e minerais. Quando se come menos, cada garfada precisa entregar mais qualidade nutricional.

    O maior risco das modas alimentares é fazer acreditar que existe um protagonista. Ontem foi o carboidrato, depois veio a gordura e agora é a proteína. A ciência, porém, continua dizendo a mesma coisa: saúde não é construída por um único nutriente. Da próxima vez que alguém perguntar quanta proteína tem no prato, talvez valha responder com outra pergunta: “E onde estão as fibras?”.

    Fátima Watanabe

    Formada em biblioteconomia pela UFMG, Fátima Watanabe começou na sua área escrevendo artigos sobre as obras de Dante Alighieri e sua importância dentro da literatura. Hoje, Fátima passa seus dias como pesquisadora de sua área, integrando o uso de palavras-chave na pesquisa didática e ainda escreve editoriais e artigos no Revista Top Saúde.

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