Após a eliminação do Brasil para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, Neymar indicou sua aposentadoria da Seleção. Emocionado, o atacante disse à imprensa que “agora acabou”. A declaração levantou a dúvida se, com 38 anos em 2030, ele ainda poderia disputar outra Copa.

    Especialistas afirmam que não existe uma idade exata em que um atleta fica “velho demais” para competir. A faixa etária, isoladamente, não impediria a presença de Neymar. Se ele participasse, estaria um ano mais jovem que Lionel Messi e três anos mais novo que Cristiano Ronaldo na Copa de 2026.

    O ortopedista André Pedrinelli, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE), explica que o rendimento físico cai com o envelhecimento. No entanto, experiência, técnica e avanços da medicina esportiva permitem que jogadores prolonguem a carreira em alto nível.

    Quem chega a 2030?

    A idade dos principais nomes da Seleção ajuda a projetar o próximo ciclo. Neymar e Casemiro terão 38 anos em 2030. Danilo e Alisson chegarão aos 37. A turma apontada como protagonista inclui Vinícius Júnior, Gabriel Martinelli e Luiz Henrique, com 29 anos; Bruno Guimarães e Gabriel Magalhães, com 32; e Raphinha, com 33.

    Segundo Pedrinelli, o limite para competir depende mais das condições físicas, do histórico de lesões e da capacidade de recuperação do que do calendário. “Todos esses atletas acima de 35 anos estão fora da faixa etária de pico de ação, mas longe de não estarem preparados para a Copa do Mundo”, afirma.

    Uma possível aposentadoria, como a anunciada por Neymar, considera outros fatores. “Também considera as lesões vivenciadas pelo atleta e o cansaço durante o tempo de prática esportiva”, explica o médico.

    Como a idade impacta o desempenho?

    Depois dos 35 anos, as primeiras capacidades a sofrerem declínio são força, velocidade e potência. A resistência tende a ser menos afetada. O envelhecimento também causa perda natural de massa muscular, elevando o risco de lesões. “Mas a coisa mais importante é que aumenta um pouco o tempo de recuperação de cada atleta depois de uma lesão”, adverte Pedrinelli.

    Isso não significa que o esportista deixará de competir em alto nível. A longevidade no futebol tem crescido com a evolução da ciência do esporte. “O tripé formado pela qualidade do treino, do sono e da recuperação funcional melhorou muito nos últimos 15 anos”, exemplifica o ortopedista.

    Avanços em treinamento, nutrição, hidratação e valorização do sono permitem uma recuperação mais eficiente. Uma queda de desempenho pode ser compensada por alterações na técnica e tática. “Eventualmente, eles até mudam o estilo de jogo para compensar a perda de capacidade física ao longo da idade”, explica Pedrinelli.

    Fátima Watanabe

    Formada em biblioteconomia pela UFMG, Fátima Watanabe começou na sua área escrevendo artigos sobre as obras de Dante Alighieri e sua importância dentro da literatura. Hoje, Fátima passa seus dias como pesquisadora de sua área, integrando o uso de palavras-chave na pesquisa didática e ainda escreve editoriais e artigos no Revista Top Saúde.

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