Pesquisadores dos Estados Unidos anunciaram dois novos casos de potencial cura do HIV durante a abertura da 26ª Conferência Internacional de Aids (AIDS 2026), no Rio de Janeiro. Os pacientes não apresentam sinais detectáveis do vírus no corpo há mais de um ano, mesmo após suspenderem os medicamentos antirretrovirais. Com esses novos relatos, sobe para 13 o número de pessoas no mundo consideradas curadas ou em remissão de longo prazo da infecção. Os resultados devem ser detalhados em publicações científicas.

    Os dois pacientes desenvolveram cânceres no sangue e precisaram passar por um transplante de medula óssea. Os doadores escolhidos possuíam a mutação genética rara CCR5-delta32, que impede que as formas mais comuns do HIV entrem nas células do sistema imunológico. O primeiro caso, conhecido como “paciente de Kansas City”, recebeu o diagnóstico de HIV e leucemia em 2018. O transplante foi realizado em outubro de 2020. Em fevereiro de 2025, os médicos suspenderam os antirretrovirais e, quatorze meses depois, os exames seguem sem detectar o vírus.

    O segundo caso, cuja identidade não foi divulgada, era mais complexo. O paciente também tinha hepatite B e portava variantes do HIV que usam receptores diferentes para infectar células. Um ano após interromper o tratamento, não havia vírus capaz de se multiplicar nem material genético completo do HIV no organismo. A única infecção que voltou foi a hepatite B, poucos dias após a suspensão dos medicamentos.

    Para o infectologista Ricardo Sobhie Diaz, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), os casos reforçam que a cura do HIV é biologicamente possível. Ele afirma que a estratégia combina três mecanismos: a quimioterapia para eliminar as células da medula óssea que escondem o vírus, o transplante de células resistentes ao HIV e, em alguns casos, a reação de enxerto contra hospedeiro, que pode destruir os resquícios do vírus.

    Apesar do sucesso, o transplante de medula não é uma opção para a maioria das pessoas com HIV. O procedimento tem alto risco de complicações e mortalidade, sendo indicado apenas para pacientes que já precisam do transplante para tratar cânceres do sangue. Segundo Diaz, a estratégia nem sempre funciona. O desafio agora é desenvolver terapias que eliminem os reservatórios do HIV sem submeter os pacientes a um tratamento tão agressivo.

    Fátima Watanabe

    Formada em biblioteconomia pela UFMG, Fátima Watanabe começou na sua área escrevendo artigos sobre as obras de Dante Alighieri e sua importância dentro da literatura. Hoje, Fátima passa seus dias como pesquisadora de sua área, integrando o uso de palavras-chave na pesquisa didática e ainda escreve editoriais e artigos no Revista Top Saúde.

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