O Dia do Homem, celebrado em 15 de julho no Brasil, foi criado em 1992 para incentivar cuidados com a saúde masculina. No entanto, especialistas alertam para um novo fenômeno que coloca jovens em risco: o looksmaxxing.
Conhecido como “maximização visual”, o movimento ganha força nas redes sociais e promete transformar homens em versões mais atraentes. A tendência incentiva a busca por músculos aparentes, mandíbula marcada e baixo percentual de gordura corporal.
O padrão estético é considerado irreal e os métodos para atingi-lo são perigosos. A prática pode levar a comportamentos obsessivos e prejudicar a saúde física e mental. O looksmaxxing é difundido por influenciadores da chamada machosfera, comunidades digitais que defendem modelos de masculinidade frequentemente ligados à misoginia.
A lógica do movimento parte da ideia de que a aparência é central para o sucesso amoroso, profissional e social. Produtores de conteúdo compartilham supostas técnicas para melhorar o visual. Algumas envolvem hábitos como musculação e cuidados com a pele, mas em intensidade exagerada.
Outras “dicas” incluem o uso de anabolizantes, cirurgias invasivas como alongamento das pernas e procedimentos sem comprovação científica. Um exemplo é o bone smashing, em que a pessoa golpeia os próprios ossos do rosto para tentar remodelar a mandíbula.
Estudo aponta riscos
Um estudo de 2025 na revista Sociology Health & Illness analisou mais de 8 mil comentários em fóruns dedicados ao looksmaxxing. A pesquisa mostra que a comunidade é marcada por críticas severas a aparências fora do padrão “viril”.
Nesses espaços, os participantes recebem insultos e sugestões de autolesão. Também há discursos que incentivam o uso indiscriminado de hormônios. O sociólogo Michael Halpin, da Universidade de Dalhousie, no Canadá, afirma que os praticantes acreditam que apenas a aparência importa.
Os mais afetados são os adolescentes. A fase é marcada pela construção da identidade e da imagem corporal. O psiquiatra Luiz Gustavo Zoldan, do Einstein Hospital Israelita, explica que o cuidado saudável com a aparência melhora o bem-estar e coexiste com outras fontes de identidade.
A situação se torna preocupante quando a aparência causa vergonha, ansiedade e isolamento. Grupos como incel e redpill oferecem um sentimento de pertencimento, mas por meio de uma ideologia extremista. A narrativa coloca a mudança física como chave para ser desejado.
A exposição a imagens idealizadas aumenta os fatores de risco para sofrimentos psicológicos e dismorfia corporal. O psiquiatra alerta que um adolescente pode ser exposto diariamente a milhares de pessoas nas redes sociais. Quando a aparência passa a ser central, surge a auto-objetificação, em que a pessoa se percebe apenas como um objeto a ser avaliado.

