Conversas sobre corpo e limites com crianças devem começar desde os primeiros anos de vida, e não apenas quando elas crescem, como muitos pais acreditam. De forma adequada à idade, é possível ensinar que o corpo merece respeito, que a criança tem o direito de expressar desconfortos e que pode buscar ajuda quando algo não parece certo.
A médica Lívia Schwab, gerente de saúde ocupacional, afirma que a educação para o cuidado e a proteção na infância merece atenção. Dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania mostram que as denúncias de abuso e exploração sexual infantil cresceram cerca de 195% nos últimos quatro anos.
Diante desse cenário, a resposta está na educação preventiva. Falar sobre o corpo significa ensinar, de forma simples e progressiva, conceitos como respeito, consentimento, privacidade e limites. Nomear corretamente as partes do corpo, explicar que algumas regiões são íntimas e que ninguém pode tocá-las sem necessidade ou explicação adequada são exemplos dessas conversas.
Esses diálogos contribuem para o desenvolvimento emocional. Crianças que aprendem a reconhecer emoções e comunicar sentimentos tendem a desenvolver mais segurança para expressar dúvidas e medos. Não existe uma conversa única. O mais eficaz é construir um ambiente de confiança contínua, aproveitando momentos da rotina, como durante uma brincadeira ou na hora do banho.
O movimento “É Meu”, do Boticário, busca apoiar pais e responsáveis nesses diálogos por meio de conteúdos educativos e linguagem lúdica. Falar sobre proteção na infância significa formar crianças que conheçam seus direitos e compreendam seus limites. Toda criança merece crescer sabendo que seu corpo pertence a ela mesma e que existem adultos preparados para ouvir e proteger.

