O colesterol alto é um problema que não apresenta sintomas, mas pode ter consequências graves. Muitas pessoas só descobrem que têm colesterol elevado após sofrerem um infarto ou um acidente vascular cerebral (AVC). O cardiologista Carlos Alberto Pastore explica que o excesso de colesterol LDL, o “colesterol ruim”, age silenciosamente por anos, formando placas de gordura nas artérias.
Essas placas podem crescer sem causar desconforto até que reduzam o fluxo sanguíneo ou se rompam, provocando um evento cardíaco ou cerebral. Por isso, esperar por sintomas para investigar o colesterol é um erro. O objetivo da prevenção cardiovascular é agir antes que o primeiro problema aconteça.
A investigação do colesterol não deve ser adiada para a meia-idade em todos os casos. Pessoas com histórico familiar de infarto precoce, AVC ou colesterol muito elevado devem começar o acompanhamento mais cedo. Em algumas famílias, alterações genéticas mantêm o colesterol alto desde a infância, aumentando o risco de doenças cardiovasculares na vida adulta.
O tratamento para reduzir o colesterol evoluiu nos últimos anos. As estatinas continuam sendo a base do tratamento, mas novas opções surgiram para pacientes de alto risco. Os inibidores da PCSK9 e o inclisirana, um medicamento à base de RNA de interferência, são alternativas que reduzem o LDL com aplicações pouco frequentes. Esses tratamentos não substituem hábitos saudáveis e não são indicados para todas as pessoas.
A prevenção do colesterol alto envolve conhecer o histórico familiar, controlar a pressão arterial, diabetes e peso, praticar atividade física e não fumar. Exames laboratoriais são necessários para identificar alterações lipídicas precocemente. Reduzir o colesterol diminui o risco de infarto e AVC. O desafio é fazer com que mais pessoas descubram seu risco antes que a doença se manifeste.

