Médicos brasileiros realizaram uma cirurgia inédita no país para tratar a malformação de Arnold-Chiari tipo 1, uma doença rara que causa dores de cabeça e outros sintomas neurológicos. O procedimento utilizou uma nova técnica endoscópica, que promete recuperação mais rápida e menos riscos para os pacientes.
A doença de Arnold-Chiari tipo 1 é uma malformação cerebral congênita. Ela se caracteriza pelo deslocamento do cerebelo em direção à coluna cervical. Isso pode comprimir nervos e interromper o fluxo de líquor, gerando sintomas como dores de cabeça ao esforço, tonturas, zumbidos, fraqueza muscular e dormência.
A condição é considerada rara no mundo, afetando de 0,1 a 0,5 pessoa a cada 100 mil. No Brasil, especialmente no Nordeste, a incidência é maior, atingindo um caso a cada 100 mil indivíduos. Acredita-se que a herança genética holandesa na região, devido à ocupação no século 17, possa estar associada a essa maior frequência.
O tratamento tradicional para a doença é a cirurgia de descompressão da fossa posterior. Nesse procedimento, um fragmento do crânio ou da cervical é removido para dar mais espaço ao cerebelo. A incisão é grande, de cerca de 7 centímetros, e a musculatura da nuca é descolada. Estima-se que 30% dos operados fiquem com sequelas e precisem de uma segunda cirurgia.
A nova técnica, introduzida no Brasil pelo cirurgião ortopedista Rafael Sugino, substitui o método aberto pelo endoscópico. A incisão é de apenas um centímetro. A primeira cirurgia desse tipo no país foi realizada em uma mulher adulta com a doença tipo 1, no Hospital dos Servidores do Estado do Maranhão.
De acordo com os médicos, a paciente passou menos de 24 horas no Centro de Terapia Intensiva (CTI), movimentando bem o pescoço e com pouca dor. No método tradicional, os pacientes costumam ficar hospitalizados por uma semana. Agora, os médicos preparam um estudo clínico para avaliar a segurança e a eficácia da nova técnica em mais pacientes.
O neurocirurgião Telmo Belsuzarri explicou que, embora a doença seja congênita, os sintomas do tipo 1 costumam aparecer na fase adulta, a partir dos 30 anos. O tratamento convencional inclui medicamentos para aliviar os sintomas e a cirurgia para corrigir a malformação. A nova abordagem endoscópica busca reduzir as complicações e melhorar a recuperação dos pacientes.

