O tratamento do câncer de bexiga passou por transformações nos últimos anos. Antes limitado à cirurgia e quimioterapia, o cenário atual oferece novas opções que aumentam a sobrevida e permitem a preservação do órgão. A seguir, os principais avanços na área.

    O câncer de bexiga se apresenta em duas formas principais. A primeira é a não músculo-invasiva, quando o tumor não atingiu a camada muscular. A segunda é a músculo-invasiva, mais agressiva e com maior risco de se espalhar. Cerca de 75% dos casos são do primeiro tipo.

    Para tumores não invasores, o tratamento inclui a ressecção endoscópica transuretral, que remove a lesão pela uretra. Também são usadas aplicações intravesicais, com medicamentos administrados diretamente na bexiga. A imunoterapia com BCG, utilizada desde 1976, estimula o sistema imunológico a destruir células tumorais.

    Nos casos invasivos, o protocolo tradicional envolvia quimioterapia com cisplatina antes da cistectomia radical, cirurgia que remove a bexiga. Essa quimioterapia prévia reduz ou elimina o tumor em até 42% dos casos. Para pacientes selecionados, existe a terapia trimodal, que combina ressecção, quimioterapia e radioterapia para preservar o órgão.

    1. Imunoterapia

    A imunoterapia desperta as defesas do organismo contra o tumor. O medicamento durvalumabe, por exemplo, é usado antes e depois da cirurgia em casos músculo-invasivos, junto com quimioterapia. Para pacientes que não podem fazer quimioterapia, a combinação de enfortumabe vedotina e pembrolizumabe se tornou referência. Em ambas as opções, entre 37% e 57% dos casos apresentam ausência de células malignas após a cirurgia.

    2. Conjugados anticorpo-droga

    Esses medicamentos funcionam como mísseis teleguiados. Um anticorpo reconhece a célula tumoral e entrega uma substância tóxica no local, poupando tecidos saudáveis. O enfortumabe vedotina, combinado ao pembrolizumabe, dobrou a sobrevida global em pacientes com doença metastática, em comparação com a quimioterapia convencional. Outro exemplo, o sacituzumabe govitecan, mostrou resposta em quase um terço dos pacientes que já haviam falhado a tratamentos anteriores.

    3. Medicina de precisão

    É possível escolher a terapia de acordo com as características do tumor. O erdafitinibe, por exemplo, é indicado para tumores com alterações no gene FGFR3. Mesmo em pacientes com doença avançada, o medicamento alcança resultados positivos.

    4. Preservação da bexiga

    A preservação do órgão é um objetivo crescente. Técnicas cirúrgicas e cuidados pós-operatórios otimizados permitem que mais pacientes mantenham a bexiga. A terapia trimodal e o uso de imunoterapia em casos específicos ampliam as possibilidades de evitar a remoção completa do órgão.

    5. Decisão compartilhada

    A escuta ativa do paciente e a decisão compartilhada são pilares do tratamento moderno. O médico e o paciente discutem as opções disponíveis, levando em conta os benefícios, riscos e preferências individuais. Essa abordagem melhora a adesão ao tratamento e a qualidade de vida.

    Fátima Watanabe

    Formada em biblioteconomia pela UFMG, Fátima Watanabe começou na sua área escrevendo artigos sobre as obras de Dante Alighieri e sua importância dentro da literatura. Hoje, Fátima passa seus dias como pesquisadora de sua área, integrando o uso de palavras-chave na pesquisa didática e ainda escreve editoriais e artigos no Revista Top Saúde.

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