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Desenvolvimento e avaliação

Diferença entre fonoaudiologia e terapia ocupacional

A fonoaudiologia cuida da comunicação, da linguagem, da voz, da audição e da deglutição. A terapia ocupacional cuida da participação nas atividades do dia a dia. Qual delas, ou se as duas, quem define é a avaliação profissional.

Redação da Revista Top Saúde · Publicado em · Revisado em

Conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas, sem revisão clínica. As fontes estão listadas no fim da página.

Fonoaudiologia e terapia ocupacional aparecem juntas com frequência na vida de uma família, principalmente quando há uma dúvida sobre o desenvolvimento de uma criança. Às vezes chegam juntas num mesmo encaminhamento, às vezes uma leva à outra. Esta página explica o que cada profissão faz, o que a lei diz sobre cada uma e por que a escolha entre elas não é da família, e sim da avaliação.

Duas profissões, dois conselhos

A primeira diferença é formal, e ajuda a entender as outras. Fonoaudiologia e terapia ocupacional são profissões distintas, com formações próprias, leis próprias e conselhos diferentes.

A fonoaudiologia é regulamentada pela Lei nº 6.965/1981. A mesma lei criou o Conselho Federal de Fonoaudiologia (CFFa) e os Conselhos Regionais de Fonoaudiologia (art. 6º). O registro do fonoaudiólogo é feito no conselho regional do estado.

A terapia ocupacional é reconhecida pelo Decreto-Lei nº 938/1969, que trata a terapia ocupacional e a fisioterapia como profissões distintas. O sistema de conselhos é comum às duas: o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO) e os conselhos regionais (CREFITO), criados pela Lei nº 6.316/1975. O registro do terapeuta ocupacional é feito no CREFITO do estado.

A Lei nº 6.965/1981 descreve o fonoaudiólogo como o profissional que atua em pesquisa, prevenção, avaliação e terapia fonoaudiológicas na área da comunicação oral e escrita, da voz e da audição (art. 1º, parágrafo único). O art. 4º lista as competências da profissão.

Na prática, isso inclui um campo amplo. Em crianças, as queixas que costumam chegar à fonoaudiologia envolvem a comunicação, a linguagem, a fala, a audição, a leitura e a escrita e, em alguns casos, a alimentação, porque a mastigação e a deglutição também fazem parte da área. Em adultos e idosos, entram também a voz, a deglutição depois de doenças neurológicas e a reabilitação da comunicação depois de um AVC, entre outras.

A página sobre o que faz um fonoaudiólogo descreve a profissão com mais detalhe.

O que faz o terapeuta ocupacional

O Decreto-Lei nº 938/1969 define, no art. 4º, a atividade privativa do terapeuta ocupacional. A Resolução COFFITO nº 316/2006 trata da competência do profissional para avaliar habilidades funcionais nas atividades de vida diária e nas atividades instrumentais de vida diária, e para atuar com tecnologia assistiva, entre outros temas.

O foco da terapia ocupacional é a participação da pessoa nas atividades que fazem parte da sua vida. Em crianças, isso costuma envolver o brincar, a alimentação, o vestir-se, a higiene, o sono, a escola e a convivência com outras pessoas. O terapeuta ocupacional olha para a criança e também para o ambiente em que essas atividades acontecem.

A página sobre o que faz um terapeuta ocupacional descreve a profissão com mais detalhe.

A diferença, em uma frase

De forma simplificada: a fonoaudiologia olha para a comunicação, a linguagem, a voz, a audição e a deglutição; a terapia ocupacional olha para como a pessoa participa das atividades do dia a dia.

Essa frase ajuda a entender as profissões, mas não serve para a família escolher sozinha. Muitas queixas tocam as duas áreas ao mesmo tempo, e a mesma queixa pode pedir olhares diferentes em crianças diferentes.

Onde as duas se encontram

Há situações em que as duas profissões olham para a mesma cena com perguntas diferentes. A alimentação é um exemplo: o fonoaudiólogo se interessa pela mastigação e pela deglutição; o terapeuta ocupacional, pela forma como a criança participa da refeição, usa os utensílios e se organiza nesse momento da rotina.

A escola é outro ponto de encontro. A fonoaudiologia pode se interessar pela linguagem oral e escrita; a terapia ocupacional, pela participação da criança nas atividades escolares e pelo ambiente da sala.

O brincar também aparece nas duas. Para o fonoaudiólogo, a brincadeira costuma ser um momento em que a comunicação se mostra de forma natural. Para o terapeuta ocupacional, o brincar é uma das atividades centrais da vida da criança, e a participação nele interessa por si.

Nesses casos, cada profissional avalia a partir do seu campo e, quando faz sentido, conversa com o outro.

A família no centro das duas

Uma coisa as duas profissões têm em comum: com crianças, o trabalho envolve a família. É a família que conta a história, que descreve a rotina, que leva as observações da escola e que participa das decisões sobre o acompanhamento.

Por isso, em qualquer das duas consultas, a família pode e deve fazer perguntas, pedir explicações em palavras simples e dizer o que não ficou claro. Entender o que cada profissional está olhando ajuda a família a acompanhar o cuidado de perto.

Quando uma, quando a outra, quando as duas

Não existe uma regra que a família possa aplicar sozinha para decidir. O que existe é um caminho:

  • a queixa costuma chegar primeiro ao pediatra ou à equipe da unidade básica de saúde, que ouve a família, observa a criança e encaminha para a profissão que entende pertinente;
  • o fonoaudiólogo, ao avaliar, pode entender que a terapia ocupacional ajuda a compreender o quadro, e encaminhar;
  • o terapeuta ocupacional, ao avaliar, pode fazer o mesmo em relação à fonoaudiologia;
  • em alguns casos, a avaliação indica acompanhamento pelas duas profissões ao mesmo tempo.

Em todos os casos, o profissional avalia e a decisão é técnica. Não há nada de errado em a família chegar a uma profissão e sair com encaminhamento para a outra: isso é o sistema funcionando.

Quando há acompanhamento pelas duas

Quando uma criança é acompanhada pelas duas profissões, os profissionais costumam conversar entre si e com a família para que os objetivos façam sentido em conjunto. No SUS, isso pode acontecer dentro de uma equipe multiprofissional. Desde 2023, as equipes multiprofissionais da atenção primária (eMulti) podem incluir fonoaudiólogo e terapeuta ocupacional, conforme o Anexo I da Portaria GM/MS nº 635/2023.

No privado, a articulação depende dos profissionais envolvidos. Vale a família perguntar a cada um como pretende conversar com o outro.

Terapia ocupacional não é fisioterapia

Como a terapia ocupacional divide o sistema de conselhos com a fisioterapia, é comum confundir as duas. Elas são profissões diferentes: o Decreto-Lei nº 938/1969 define atividades privativas próprias para cada uma, nos arts. 3º e 4º. A página sobre a diferença entre terapia ocupacional e fisioterapia explica esse ponto.

Como conferir o registro

O registro do fonoaudiólogo pode ser conferido na consulta pública do conselho regional de fonoaudiologia do estado, com os links reunidos pelo CFFa. O do terapeuta ocupacional, na consulta pública do CREFITO do estado, com os endereços reunidos pelo COFFITO. As páginas sobre como conferir o registro no CREFONO e como conferir o registro no CREFITO explicam as duas consultas.

O que perguntar na primeira consulta

Algumas perguntas costumam ajudar a família a entender o papel de cada profissional:

  • o que, na queixa, é do campo deste profissional;
  • se ele vê motivo para a avaliação de outra área;
  • como pretende conversar com os outros profissionais que acompanham a criança;
  • como vai reavaliar e informar a família.

Os dois caminhos para a avaliação

Pelo SUS, a porta de entrada é a unidade básica de saúde. A equipe que acompanha a criança ouve a queixa e, havendo indicação clínica, encaminha para a fonoaudiologia, para a terapia ocupacional ou para as duas, em geral pela regulação da secretaria municipal de saúde, com regras que variam por município.

Pelo privado ou pelo plano de saúde, o caminho costuma começar no pediatra, que encaminha, ou diretamente no profissional, no atendimento particular. Pelos dois caminhos, a escolha entre fonoaudiologia e terapia ocupacional, ou a combinação das duas, é definida na avaliação presencial com profissional habilitado.

Perguntas frequentes

Fonoaudiólogo e terapeuta ocupacional têm o mesmo conselho?
Não. O fonoaudiólogo se registra no Conselho Regional de Fonoaudiologia, sob o Conselho Federal de Fonoaudiologia (Lei nº 6.965/1981). O terapeuta ocupacional se registra no CREFITO, sob o COFFITO, o mesmo sistema de conselhos da fisioterapia (Lei nº 6.316/1975).
Como saber qual das duas profissões procurar?
A família não precisa decidir sozinha. O ponto de partida costuma ser o pediatra ou a unidade básica de saúde, que ouve a queixa e encaminha. E cada profissional, ao avaliar, pode encaminhar para o outro quando entende que esse olhar ajuda.
Uma criança pode ser acompanhada pelas duas profissões ao mesmo tempo?
Pode, quando a avaliação indica. As duas olham para aspectos diferentes da vida da criança, e os profissionais costumam conversar entre si e com a família para organizar o cuidado.
Terapia ocupacional é a mesma coisa que fisioterapia?
Não. O Decreto-Lei nº 938/1969 trata as duas como profissões distintas, cada uma com atividade privativa própria. Elas compartilham o sistema de conselhos, mas não a formação nem o objeto de trabalho.

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Os dois caminhos

Pelo SUS

Fono e terapia ocupacional pelo SUS. A porta de entrada é a unidade básica de saúde, que encaminha para o serviço especializado quando a equipe considera necessário.

Por cidade

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