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Desenvolvimento e avaliação

Avaliação fonoaudiológica: como é e o que esperar

A avaliação fonoaudiológica reúne conversa com a família, histórico da criança e observação feita pelo fonoaudiólogo. Ela não é uma prova: é o momento em que o profissional entende a queixa e define, com a família, o próximo passo.

Redação da Revista Top Saúde · Publicado em · Revisado em

Conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas, sem revisão clínica. As fontes estão listadas no fim da página.

Marcar uma avaliação com fonoaudiólogo costuma trazer duas perguntas ao mesmo tempo: o que vai acontecer lá dentro e o que a família vai ouvir na saída. Esta página descreve, em linhas gerais, como costuma ser esse encontro. Cada profissional tem a sua forma de conduzir, e cada avaliação é organizada conforme o caso, mas há elementos que aparecem em quase todas.

O que é a avaliação fonoaudiológica

A avaliação é o primeiro contato do fonoaudiólogo com a criança e com a família por causa de uma queixa. A queixa pode ter vindo da própria família, da escola, do pediatra ou da equipe da unidade básica de saúde.

O objetivo da avaliação não é dar nota à criança nem aprovar ou reprovar ninguém. É entender a queixa: o que está acontecendo, em que contexto, desde quando, e se há algo que peça acompanhamento.

A Lei nº 6.965/1981, que regulamenta a profissão, descreve o fonoaudiólogo como o profissional que atua em pesquisa, prevenção, avaliação e terapia fonoaudiológicas na área da comunicação oral e escrita, da voz e da audição (art. 1º, parágrafo único). A avaliação faz parte dessas atribuições.

Quem participa

Numa avaliação de criança, quase sempre participam três partes: a criança, a família ou quem cuida dela, e o fonoaudiólogo.

A família tem um papel central. Ninguém conhece a rotina da criança como quem convive com ela, e muito do que o profissional precisa saber só a família pode contar.

Às vezes outras pessoas contribuem, mesmo sem estar na sala. A escola ou a creche pode mandar um relato do que observa. O pediatra ou a equipe da unidade básica de saúde pode ter registrado informações no encaminhamento. Esses relatos entram como informação, e quem os interpreta é o profissional que está avaliando.

A conversa com a família

A avaliação costuma começar por uma conversa, que os profissionais chamam de anamnese. É o momento de reconstruir a história da criança.

O fonoaudiólogo costuma perguntar sobre:

  • o que motivou a procura e quem notou primeiro;
  • a gestação, o nascimento e a saúde da criança desde então;
  • o desenvolvimento ao longo do tempo, com o que a família lembra e o que está na caderneta;
  • como a criança se comunica no dia a dia, com a família, com outras crianças e na escola;
  • a alimentação, o sono e a rotina;
  • a história de saúde da família, quando for relevante para a queixa.

Não existe resposta certa nessas perguntas. Se a família não lembrar de alguma coisa, isso é comum e o profissional sabe lidar com a lacuna. O que importa é contar o que se sabe, do jeito que se sabe.

A observação da criança

Depois da conversa, ou ao mesmo tempo, o fonoaudiólogo observa a criança. Com crianças pequenas, isso costuma acontecer de forma lúdica, com brinquedos e momentos de interação, porque é brincando que a comunicação aparece de forma mais natural.

O profissional observa a comunicação como um todo, e é ele quem define o que observar em cada caso. Conforme a queixa, pode observar também aspectos da fala, da voz ou da alimentação.

Em alguns casos, o fonoaudiólogo usa instrumentos de avaliação próprios da área, escolhidos conforme a idade e a queixa da criança. Quais instrumentos, e se eles serão usados, é decisão técnica do profissional.

A família pode ficar com a impressão de que a criança não "mostrou" tudo o que faz no dia a dia. O profissional sabe que uma criança num lugar novo, com uma pessoa estranha, pode se comportar de outro jeito. É por isso que o relato da família pesa tanto, e é por isso que, às vezes, a avaliação pede mais de um encontro.

Outras avaliações

A avaliação fonoaudiológica nem sempre fecha sozinha. Conforme o caso, o fonoaudiólogo pode entender que outras avaliações ajudam a compreender o quadro, da própria fonoaudiologia ou de outras áreas, e explicar à família por quê.

Um pedido assim, por si só, não diz nada sobre a criança. Diz que o profissional quer olhar por mais de um ângulo antes de concluir.

O que a família leva

Algumas coisas costumam ajudar a avaliação:

  • o encaminhamento, se houver, com o que o profissional anterior anotou;
  • a caderneta da criança, impressa ou no aplicativo Meu SUS Digital;
  • exames e relatórios anteriores, de saúde ou da escola;
  • anotações sobre o que preocupa e desde quando;
  • as perguntas da família, escritas, para não esquecer nenhuma.

Vale também levar o que ajuda a criança a se sentir à vontade num lugar novo, como um objeto de que ela goste, se o profissional não tiver dito o contrário.

A avaliação é também o momento de a família tirar as suas dúvidas. Algumas perguntas costumam ser úteis:

  • como a avaliação vai ser feita e se deve precisar de mais de um encontro;
  • se a família participa de todo o encontro ou de parte dele;
  • quando e como será a conversa sobre o resultado;
  • se haverá relatório por escrito;
  • qual é o registro do profissional no conselho regional.

O registro do fonoaudiólogo pode ser conferido na consulta pública dos conselhos regionais, reunida pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia na página Buscar Profissionais por Região. A página sobre como conferir o registro no CREFONO explica a consulta.

O que sai da avaliação

Ao fim, o fonoaudiólogo conversa com a família sobre o que observou. Essa conversa costuma ser chamada de devolutiva. Ela pode vir acompanhada de um relatório por escrito, conforme o serviço e o pedido.

Os desfechos variam bastante:

  • não é caso de acompanhamento agora. O profissional explica por que chegou a essa conclusão naquele momento e pode orientar a família a seguir com a puericultura;
  • nova observação. O profissional pode propor rever a criança mais adiante, antes de concluir;
  • acompanhamento fonoaudiológico. O profissional explica o que pretende acompanhar e como pretende reavaliar;
  • encaminhamento. O profissional pode encaminhar para outra avaliação, de outra área, quando entende que ela ajuda.

Nenhum desses desfechos é uma previsão sobre o futuro da criança. E nenhum deles vem com prazo prometido ou número de encontros fechado de antemão: quando há acompanhamento, a duração depende do caso e de reavaliação periódica, como explica a página sobre quanto tempo dura um acompanhamento.

Se a família discordar ou ficar com dúvida

A devolutiva é uma conversa, não um comunicado. A família pode pedir que o profissional explique de novo, com outras palavras, o que observou. Pode pedir o relatório por escrito. E pode levar a conclusão ao pediatra ou à equipe da unidade básica de saúde que acompanha a criança.

Ouvir outro profissional habilitado, quando a família sente necessidade, faz parte do cuidado e não é desrespeito a quem avaliou primeiro.

Os dois caminhos para a avaliação

Pelo SUS, a porta de entrada é a unidade básica de saúde. A equipe que acompanha a criança avalia a queixa e, havendo indicação clínica, encaminha para a avaliação fonoaudiológica, em geral pela regulação da secretaria municipal de saúde. As regras variam por município. Desde 2023, as equipes multiprofissionais da atenção primária (eMulti) podem incluir fonoaudiólogo, conforme a Portaria GM/MS nº 635/2023. A página sobre fonoaudiólogo pelo SUS descreve esse caminho.

Pelo privado, a família pode marcar a avaliação diretamente com um fonoaudiólogo ou chegar a ele pelo pediatra. Pelo plano de saúde, as condições de cobertura dependem do contrato e das regras da operadora. Pelos dois caminhos, é a avaliação presencial com o fonoaudiólogo que define o que acontece em seguida.

Perguntas frequentes

A criança precisa de encaminhamento para a avaliação fonoaudiológica?
Pelo SUS, em geral sim: a avaliação começa na unidade básica de saúde, que encaminha quando há indicação. No atendimento particular, a família costuma poder marcar direto com o fonoaudiólogo. No plano de saúde, confira as regras do contrato e da operadora.
A avaliação acontece em uma consulta só?
Varia conforme o caso. Algumas avaliações se concluem num encontro; outras precisam de mais de um, ou de uma nova observação depois de um tempo. O fonoaudiólogo explica isso à família no começo.
Os pais ficam na sala durante a avaliação?
Depende da forma de trabalho do profissional e do que ele precisa observar. Com crianças pequenas, a família costuma participar de pelo menos parte do encontro. Vale perguntar ao marcar.
O que acontece se o fonoaudiólogo concluir que não é caso de acompanhamento?
Ele explica o que observou e por que chegou a essa conclusão naquele momento. Pode combinar uma nova observação mais adiante ou orientar a família a seguir com a puericultura. Novas dúvidas podem ser levadas de novo à consulta.
Como confiro se o fonoaudiólogo tem registro?
A consulta é pública, nos conselhos regionais de fonoaudiologia. A página do CFFa Buscar Profissionais por Região reúne os links dos nove conselhos regionais.

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Os dois caminhos

Pelo SUS

Fono e terapia ocupacional pelo SUS. A porta de entrada é a unidade básica de saúde, que encaminha para o serviço especializado quando a equipe considera necessário.

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