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Desenvolvimento e avaliação

Avaliação de terapia ocupacional: como funciona

A avaliação de terapia ocupacional olha para a participação da criança na rotina: brincar, comer, vestir-se, a escola. Reúne conversa com a família, histórico e observação, e é o terapeuta ocupacional quem define o próximo passo.

Redação da Revista Top Saúde · Publicado em · Revisado em

Conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas, sem revisão clínica. As fontes estão listadas no fim da página.

Muitas famílias chegam à terapia ocupacional sem saber direito o que essa profissão faz, e por isso a primeira avaliação costuma trazer mais dúvidas que outras consultas. Esta página descreve, em linhas gerais, como costuma ser esse encontro com o terapeuta ocupacional quando a avaliação é de uma criança. Cada profissional tem a sua forma de conduzir, e cada avaliação é organizada conforme o caso.

O que a terapia ocupacional olha

A terapia ocupacional se interessa pela participação da pessoa nas atividades que fazem parte da vida dela. No caso de uma criança, isso inclui brincar, comer, vestir-se, cuidar da higiene, dormir, estar na escola, aprender e se relacionar com outras pessoas.

O ponto de partida não é uma parte do corpo nem um comportamento isolado. É a pergunta: como a criança participa da própria rotina, o que facilita essa participação e o que a dificulta.

A profissão é reconhecida no Brasil pelo Decreto-Lei nº 938/1969, que trata a terapia ocupacional e a fisioterapia como profissões distintas e define, no art. 4º, a atividade privativa do terapeuta ocupacional. O registro profissional é feito no conselho regional (CREFITO), criado pela Lei nº 6.316/1975. A Resolução COFFITO nº 316/2006 trata da competência do terapeuta ocupacional para avaliar habilidades funcionais nas atividades de vida diária e para atuar com tecnologia assistiva, entre outros temas.

Quem participa

Numa avaliação de criança, participam a criança, a família ou quem cuida dela e o terapeuta ocupacional.

A família é peça central. É ela quem conhece a rotina, os horários, o que a criança faz sozinha, o que faz com ajuda e o que gera dificuldade no dia a dia. Muito do que o profissional precisa entender só aparece nesse relato.

A escola ou a creche pode contribuir com um relato do que observa, quando a família leva esse material. Encaminhamentos de outros profissionais, como o pediatra ou o fonoaudiólogo, também entram como informação. Quem interpreta tudo isso é o terapeuta ocupacional que está avaliando.

A conversa com a família

A avaliação costuma começar por uma conversa sobre a história da criança. O terapeuta ocupacional costuma perguntar sobre:

  • o que motivou a procura e quem notou primeiro;
  • a saúde da criança desde o nascimento e o desenvolvimento ao longo do tempo;
  • a rotina: alimentação, sono, higiene, vestir-se, os horários da família;
  • o brincar: do que a criança gosta, com quem brinca, por quanto tempo se envolve;
  • a escola ou a creche: como é a adaptação, o que os professores comentam;
  • o que a família gostaria de entender ou de ver diferente.

Não existem respostas certas. A família conta o que sabe e o que observa, e o profissional organiza essas informações.

A observação

Com crianças, a observação costuma acontecer de forma lúdica, com brinquedos, materiais e momentos de interação. O terapeuta ocupacional observa como a criança explora o ambiente, como se movimenta para alcançar o que quer, como manipula objetos, como reage ao que está à sua volta e como se organiza para realizar uma atividade.

Conforme a queixa, o profissional pode observar também momentos específicos da rotina, ou pedir à família que descreva como eles acontecem fora do consultório. Em alguns casos, ele usa instrumentos de avaliação próprios da área. A escolha de quais usar, e se vale usá-los, é técnica e cabe ao profissional.

Algumas famílias chegam à terapia ocupacional depois de ouvir falar de integração sensorial. Esse é um tema com abordagens diferentes, tratado na página sobre integração sensorial, e quem define o que observar é o terapeuta ocupacional.

O ambiente também é avaliado

Uma particularidade da terapia ocupacional é olhar para o ambiente, e não só para a criança. A organização da rotina, o espaço onde ela brinca, a escola, os objetos que usa no dia a dia: tudo isso pode facilitar ou dificultar a participação.

Por isso a conversa às vezes inclui perguntas sobre a casa, a escola e a rotina da família que parecem distantes da queixa. Elas fazem parte do raciocínio do profissional.

O que a família leva

Algumas coisas costumam ajudar a avaliação:

  • o encaminhamento, se houver;
  • a caderneta da criança, impressa ou no aplicativo Meu SUS Digital;
  • relatórios anteriores, de saúde ou da escola;
  • anotações sobre a rotina e sobre o que preocupa;
  • as perguntas da família, por escrito.

O que perguntar ao terapeuta ocupacional

A primeira consulta também é o momento de a família entender o trabalho do profissional. Algumas perguntas costumam ajudar:

  • o que, exatamente, vai ser avaliado e por quê;
  • se a avaliação deve levar mais de um encontro;
  • se a família participa de todo o encontro;
  • se haverá relatório por escrito e quando será a conversa sobre o resultado;
  • qual é o registro do profissional no CREFITO.

O registro pode ser conferido na consulta pública do conselho regional do estado. O site do COFFITO reúne os endereços dos CREFITOs, e a página sobre como conferir o registro no CREFITO explica a consulta.

O que sai da avaliação

Ao fim, o terapeuta ocupacional conversa com a família sobre o que observou, na chamada devolutiva. Conforme o serviço, pode haver relatório por escrito.

Os desfechos variam:

  • não é caso de acompanhamento agora. O profissional explica o que observou e por que chegou a essa conclusão naquele momento;
  • nova observação. Ele pode propor rever a criança mais adiante;
  • acompanhamento em terapia ocupacional. Ele explica o que pretende acompanhar, quais objetivos combinou com a família e como pretende reavaliar;
  • encaminhamento. Ele pode encaminhar para outra avaliação, como a fonoaudiológica, quando entende que ela ajuda.

Nenhum desses desfechos é uma previsão sobre o futuro da criança, e nenhum vem com prazo fechado de antemão. Quando há acompanhamento, a duração depende do caso e de reavaliação periódica, como explica a página sobre quanto tempo dura um acompanhamento.

Terapia ocupacional e fonoaudiologia

Algumas famílias saem da avaliação de terapia ocupacional com encaminhamento para fonoaudiologia, ou o contrário. Isso acontece porque as duas profissões olham para aspectos diferentes da vida da criança, e às vezes os dois olhares se completam. A página sobre a diferença entre fonoaudiologia e terapia ocupacional explica as duas profissões, e a página sobre como é uma avaliação fonoaudiológica descreve a outra consulta.

Se a família ficar com dúvida

A devolutiva é uma conversa. A família pode pedir que o profissional explique de novo o que observou, pedir o relatório por escrito e levar a conclusão ao pediatra ou à equipe da unidade básica de saúde. Ouvir outro profissional habilitado, quando a família sente necessidade, faz parte do cuidado.

Os dois caminhos para a avaliação

Pelo SUS, a porta de entrada é a unidade básica de saúde. A equipe que acompanha a criança avalia a queixa e, havendo indicação clínica, encaminha para a terapia ocupacional, em geral pela regulação da secretaria municipal de saúde, com regras que variam por município. Desde 2023, as equipes multiprofissionais da atenção primária (eMulti) podem incluir terapeuta ocupacional, conforme a Portaria GM/MS nº 635/2023. A página sobre terapia ocupacional pelo SUS descreve esse caminho.

Pelo privado, a família pode marcar a avaliação diretamente com um terapeuta ocupacional ou chegar a ele por indicação do pediatra ou de outro profissional que acompanha a criança. Pelo plano de saúde, a cobertura depende do contrato e das regras da operadora. Pelos dois caminhos, é a avaliação presencial com o terapeuta ocupacional que define o que acontece depois.

Perguntas frequentes

O que a terapia ocupacional avalia numa criança?
Em linhas gerais, como a criança participa das atividades da rotina: brincar, comer, vestir-se, cuidar da higiene, estar na escola e se relacionar. O terapeuta ocupacional observa essa participação e o ambiente em que ela acontece, e define o que avaliar conforme a queixa.
Preciso de encaminhamento para a avaliação de terapia ocupacional?
Pelo SUS, em geral sim: o caminho começa na unidade básica de saúde, que encaminha quando há indicação. No particular, a família costuma poder marcar direto. No plano de saúde, a cobertura depende do contrato e das regras da operadora.
A avaliação de terapia ocupacional é igual à de fonoaudiologia?
Não. As duas profissões são diferentes, com conselhos e formações diferentes. A fonoaudiologia olha para comunicação, linguagem, voz, audição e deglutição; a terapia ocupacional olha para a participação nas atividades do dia a dia. Algumas crianças passam pelas duas avaliações.
Como confiro o registro do terapeuta ocupacional?
Na consulta pública do conselho regional de fisioterapia e terapia ocupacional (CREFITO) do estado. O site do COFFITO reúne os endereços dos regionais.

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Os dois caminhos

Pelo SUS

Fono e terapia ocupacional pelo SUS. A porta de entrada é a unidade básica de saúde, que encaminha para o serviço especializado quando a equipe considera necessário.

Por cidade

Quem atende na sua cidade. Estabelecimentos de fonoaudiologia e de terapia ocupacional por cidade, com o nível de confirmação de cada um.