Um torcedor de 60 anos morreu após passar mal enquanto assistia ao jogo entre Brasil e Japão pela Copa do Mundo, na última segunda-feira, 29. O idoso, de Goiânia, Goiás, estava em uma padaria durante a partida e teve um mal-súbito.

    Na ocorrência, ele chegou a cair da cadeira e bater a cabeça no chão. Por isso, a equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi inicialmente acionada para um caso de traumatismo cranioencefálico. No entanto, durante o atendimento, a socorrista Nágylla de la Rocha identificou que se tratava de uma parada cardiorrespiratória.

    A médica prestou orientações, por meio de vídeo-chamada, demonstrando o passo a passo para a realização de uma massagem cardíaca no torcedor até a chegada da ambulância. Uma vez no local, a equipe tentou reanimar o paciente, mas ele não resistiu.

    O caso não é isolado. Pesquisas realizadas no Brasil e em outros países apontam que, em dias de jogos da Copa, a ocorrência de complicações cardíacas entre os torcedores pode aumentar consideravelmente.

    Um levantamento da Universidade de São Paulo (USP), que analisou dados dos mundiais ocorridos de 1998 a 2010, constatou um aumento de 9% nas internações por infarto durante a competição mundial. Nos dias em que a seleção brasileira entra em campo, as taxas podem subir 16%.

    O estudo da USP foi publicado em 2014 no periódico da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Para chegar à conclusão, os pesquisadores compararam dados de internações no Sistema Único de Saúde (SUS) durante as Copas e em anos nos quais a competição não ocorreu. A constatação final foi de que a emoção provocada pelo evento pode representar um risco à saúde cardiovascular dos torcedores. Apesar disso, não foi constatado um aumento no número de mortes.

    Isso não acontece só no Brasil. Um estudo publicado no British Medical Journal (BMJ), em 2000, notou que, durante a Eurocopa de 1996, homens holandeses com mais de 45 anos apresentaram uma mortalidade por infarto e acidente vascular cerebral (AVC) 51% maior do que a esperada em dias sem partida. Os autores sugeriram que o estresse emocional provocado por jogos decisivos pode funcionar como gatilho para pessoas suscetíveis.

    Embora o alerta não signifique que assistir a uma partida vá causar infarto, ele reforça que situações de estresse agudo podem impactar o sistema cardiovascular, principalmente quando encontram um organismo já vulnerável.

    Durante as partidas, a emoção das jogadas pode favorecer uma alta liberação de adrenalina, levando ao aumento da frequência cardíaca e elevação da pressão arterial. Em uma pessoa saudável, isso tende a ser bem tolerado. Mas, em quem já tem fatores de risco, o esforço extra pode contribuir para uma intercorrência.

    Torcedores com quadros de saúde que elevam os perigos devem ter atenção. Pessoas com hipertensão, diabetes, colesterol alterado, obesidade abdominal, estresse e depressão fazem parte do grupo que deve ficar alerta. Para a segurança, medicamentos de uso contínuo precisam ser tomados nos horários habituais e deve-se evitar excesso de consumo de sal, moderar a ingestão de bebidas alcoólicas, não fumar, manter a hidratação e, quando houver orientação médica, acompanhar a pressão arterial.

    Durante as partidas, alguns sintomas não devem ser atribuídos apenas ao nervosismo pelas jogadas. O paciente deve ficar atento, principalmente, à palpitação intensa durante um momento muito emocional e sensação de pressão e dor na nuca, um sinal de aumento da pressão arterial. De maneira geral, dor ou pressão no peito, falta de ar, desmaio, palpitações persistentes, suor frio, tontura intensa ou mal-estar fora do habitual exigem avaliação médica. Na dúvida, especialmente entre pacientes com fatores de risco, o mais seguro é não esperar o jogo acabar para ir ao pronto-socorro.

    Para identificar uma parada cardíaca, verifique se a pessoa está inconsciente, não respira normalmente e não tem pulso. Nesses casos, ligue imediatamente para o SAMU (192) ou Bombeiros (193). Para a realização de uma manobra de Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP), deite a vítima de barriga para cima em superfície rígida, coloque as mãos no centro do peito dela, entrelace os dedos e comprima o tórax rapidamente, de 100 a 120 vezes por minuto, afundando cerca de 5 cm.

    Fátima Watanabe

    Formada em biblioteconomia pela UFMG, Fátima Watanabe começou na sua área escrevendo artigos sobre as obras de Dante Alighieri e sua importância dentro da literatura. Hoje, Fátima passa seus dias como pesquisadora de sua área, integrando o uso de palavras-chave na pesquisa didática e ainda escreve editoriais e artigos no Revista Top Saúde.

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