O projeto Simfonik usa tecnologia e áudios imersivos para desenvolver empatia e comunicação de profissionais da saúde em hospitais. A iniciativa é liderada pelo artista brasileiro Jorge Lopes Ramos, pesquisador de técnicas imersivas e professor da Universidade de Greenwich, na Inglaterra.

    Há mais de vinte anos, Ramos estuda como expressões artísticas podem ajudar pessoas a desenvolver habilidades de comunicação e empatia. “Quem trabalha em hospitais precisa manter a empatia mesmo em meio a uma rotina exaustiva”, afirma. O Simfonik foi criado para suprir essa lacuna na formação desses profissionais.

    Os pesquisadores promovem oficinas em hospitais com profissionais de todas as áreas: médicos, residentes, enfermeiros, técnicos de enfermagem e equipe administrativa. As atividades são feitas em dupla, e cada pessoa recebe um par de fones de condução óssea. Com o equipamento, o indivíduo escuta o som ambiente enquanto ouve uma gravação imersiva que o convida a interagir com quem está à sua frente.

    Cada participante ouve uma versão diferente da atividade. Às vezes, todos recebem a mesma orientação e interagem juntos. Outras vezes, cada um é instruído a contar uma experiência ou observar detalhes de quem está falando. Os áudios da plataforma instigam os participantes a notar se a outra pessoa se sente segura, quais gestos e expressões ela teve ao relatar sua história, e como cada um se sentiu ao ouvir ou contar determinada situação.

    Mais de 500 profissionais de saúde já passaram pelas oficinas do Simfonik no Brasil, no Reino Unido e na Índia. No Brasil, o Hospital Einstein e o Hospital Universitário da USP (HU-USP) já sediaram treinamentos. Dos participantes, 93% observaram melhora na capacidade de se comunicar após uma única sessão de 90 minutos. As instituições também registraram um aumento médio de 22% na avaliação de empatia das equipes.

    Diante dos resultados, os pesquisadores avaliam expandir as oficinas para outros profissionais, como policiais. “Em tempos de crise para a comunicação, desenvolvemos uma forma sustentável de estimular a escuta ativa e a comunicação não violenta em ambientes onde não queremos que as pessoas se sintam desconfortáveis”, conclui Ramos.

    Fátima Watanabe

    Formada em biblioteconomia pela UFMG, Fátima Watanabe começou na sua área escrevendo artigos sobre as obras de Dante Alighieri e sua importância dentro da literatura. Hoje, Fátima passa seus dias como pesquisadora de sua área, integrando o uso de palavras-chave na pesquisa didática e ainda escreve editoriais e artigos no Revista Top Saúde.

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