T.G. é uma marca de tirzepatida fabricada no Paraguai e vendida em farmácias do país vizinho. O produto é frequentemente anunciado em redes sociais e grupos de mensagens no Brasil como opção para perda de peso, mas sua comercialização é proibida no território nacional pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

    A molécula de tirzepatida imita dois hormônios produzidos pelo corpo, o GLP-1 e o GIP. Ela estimula a produção de insulina no pâncreas e age nos neurônios ligados à saciedade no cérebro, o que ajuda no controle da glicose no sangue e reduz a fome. Por isso, é usada no tratamento de obesidade e diabetes tipo 2. Os estudos sobre a substância foram feitos pela farmacêutica estadunidense Eli Lilly, que produz o medicamento original, o Mounjaro. A empresa não fornece a molécula para outras marcas.

    O produto é vendido em ampolas com doses de 2,5 mg, 5 mg, 7,5 mg, 10 mg, 12,5 mg e 15 mg. A aplicação é feita pelo próprio paciente com seringa, e em casos de ampolas com uso prolongado, é necessário fracionar as doses.

    O fabricante é o laboratório Indufar CISA, do Paraguai, fundado em 1973. A empresa vende mais de 400 medicamentos em 14 áreas terapêuticas, como cardiologia e infectologia. Em 2025, passou a comercializar a T.G. e o Solufin, à base de semaglutida, para diabetes e obesidade. Antes disso, o laboratório não vendia medicamentos peptídicos, como insulina.

    A Anvisa afirma que a Indufar nunca pediu registro de seus produtos no Brasil. A agência proibiu formalmente a venda e a publicidade da T.G. e de similares paraguaios no país. Produtos trazidos da fronteira ou vendidos pela internet sem registro são considerados clandestinos e podem ser apreendidos por autoridades federais.

    Efeitos colaterais e riscos

    Além dos efeitos comuns de canetas emagrecedoras, como náuseas, vômitos e dores abdominais, não há garantia sobre o que contém as ampolas da T.G., já que não há estudos regulados no Brasil. Segundo Clayton Macedo, diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), a dose pode ser até 38% maior do que a informada, o que aumenta o risco de intoxicação e efeitos colaterais intensos.

    Análises de laboratório em tirzepatidas irregulares já encontraram anfetamínicos, insulina, contaminantes e soro não estéreo. A endocrinologista Maria Fernanda Barca, também da Sbem, alerta que os efeitos podem ser graves, incluindo neurotoxicidade, infecções e sepse. Não há bula oficial, apenas um PDF disponibilizado pela Indufar.

    Fátima Watanabe

    Formada em biblioteconomia pela UFMG, Fátima Watanabe começou na sua área escrevendo artigos sobre as obras de Dante Alighieri e sua importância dentro da literatura. Hoje, Fátima passa seus dias como pesquisadora de sua área, integrando o uso de palavras-chave na pesquisa didática e ainda escreve editoriais e artigos no Revista Top Saúde.

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