Pessoas com misofonia podem ter uma resposta exagerada a sons repetitivos, como o tic tac do relógio.

    A misofonia, também conhecida como síndrome da sensibilidade seletiva a sons (SSSS), é uma condição caracterizada por uma intolerância extrema a determinados tipos de ruído. Essa reação pode gerar sofrimento psíquico e respostas físicas, como aceleração dos batimentos cardíacos diante do som que serve de gatilho.

    Apesar de ser um problema identificado pelos médicos, a misofonia ainda não é reconhecida formalmente em classificações oficiais como o CID ou o DSM. Profissionais de saúde pedem sua inclusão no CID-11, mas isso ainda não ocorreu. Essa dificuldade pode atrasar o diagnóstico, exigindo a busca por médicos familiarizados com o quadro, geralmente um otorrinolaringologista.

    Não se sabe exatamente o que causa a misofonia. As hipóteses incluem alterações no funcionamento de estruturas cerebrais e fatores genéticos hereditários, já que muitas pessoas com o problema têm familiares com a mesma condição. A misofonia parece ser mais comum em mulheres, embora a razão não seja conhecida.

    Os episódios costumam ser desencadeados por gatilhos que envolvem ruídos repetitivos, como o movimento dos ponteiros de um relógio, cliques em um mouse ou o tamborilar de dedos em uma mesa. A frequência e a amplitude dos barulhos não são fatores determinantes para explicar a reação.

    O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado nos sintomas, no relato da reação aos ruídos e no histórico familiar. Muitos pacientes também apresentam neurodivergências, transtornos de saúde mental ou problemas auditivos, o que pode ajudar a determinar se a síndrome é provável. Exames complementares ajudam a descartar outras condições.

    A misofonia não tem cura, mas seus impactos podem ser reduzidos. Identificar os gatilhos e evitá-los no dia a dia é um dos primeiros passos. Técnicas como a terapia cognitivo-comportamental e terapias focadas na dessensibilização sonora podem oferecer alívio.

    Fátima Watanabe

    Formada em biblioteconomia pela UFMG, Fátima Watanabe começou na sua área escrevendo artigos sobre as obras de Dante Alighieri e sua importância dentro da literatura. Hoje, Fátima passa seus dias como pesquisadora de sua área, integrando o uso de palavras-chave na pesquisa didática e ainda escreve editoriais e artigos no Revista Top Saúde.

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