O tratamento do câncer de mama passou por uma mudança significativa. Durante anos, a classificação do HER2, uma proteína presente nas células, era binária: positivo ou negativo. Pacientes com resultado negativo não tinham acesso a terapias direcionadas contra essa proteína, restando a quimioterapia convencional.

    Pesquisas recentes, no entanto, mostraram que muitas mulheres classificadas como HER2 negativas na verdade possuem pequenas quantidades da proteína. Essa descoberta criou novas categorias, chamadas de HER2-low e HER2-ultralow. Isso significa que essas pacientes, antes sem um alvo específico, agora têm novas opções de tratamento.

    O avanço está ligado a uma nova classe de medicamentos, os conjugados anticorpo-fármaco, conhecidos pela sigla ADC. A tecnologia funciona como um “Cavalo de Troia”: um anticorpo reconhece a célula tumoral e leva uma carga terapêutica até ela, liberando o medicamento dentro da própria célula. Essa estratégia combina a precisão das terapias-alvo com a potência da quimioterapia.

    Na prática, um número maior de mulheres pode se beneficiar da medicina de precisão. Estudos mostraram que pacientes com câncer de mama metastático e baixa expressão de HER2 tiveram melhor controle da doença com esses novos medicamentos. Pesquisas também indicam benefícios para quem tem expressão ainda menor da proteína, o HER2-ultralow.

    A mudança amplia as opções para um grupo que, até pouco tempo, tinha alternativas limitadas. A oncologista Larissa Müller Gomes, membro da Brazil Health, explica que a descoberta reforça a importância dos exames anatomopatológicos. Detalhes que antes pareciam irrelevantes agora são decisivos para a escolha do tratamento.

    A maior transformação, no entanto, pode ser a mudança de perspectiva sobre a doença. A medicina descobriu que tumores aparentemente semelhantes podem ter comportamentos diferentes no nível molecular. Para muitas mulheres, isso significa novas possibilidades de tratamento e mais tempo de controle da doença.

    Este texto foi produzido em uma parceria exclusiva entre VEJA SAÚDE e Brazil Health.

    Fátima Watanabe

    Formada em biblioteconomia pela UFMG, Fátima Watanabe começou na sua área escrevendo artigos sobre as obras de Dante Alighieri e sua importância dentro da literatura. Hoje, Fátima passa seus dias como pesquisadora de sua área, integrando o uso de palavras-chave na pesquisa didática e ainda escreve editoriais e artigos no Revista Top Saúde.

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