Dificuldade de leitura e escrita: como a fonoaudiologia avalia
Quando a escrita e a leitura preocupam a família ou a escola, o que a fonoaudiologia avalia, com quem ela trabalha e qual é o caminho pelo SUS.
Redação da Revista Top Saúde · Publicado em · Revisado em
Conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas, sem revisão clínica. As fontes estão listadas no fim da página.
- Profissão
- Fonoaudiologia
- No SUS
- atenção básica e serviços especializados
- Revisado em
- 28/10/2026
Nesta página
O que a área trata
A leitura e a escrita fazem parte da linguagem, e a Lei nº 6.965/1981 inclui a comunicação escrita entre as áreas em que o fonoaudiólogo atua em pesquisa, prevenção, avaliação e terapia. Na Resolução CFFa nº 320/2006, o campo da Linguagem cita expressamente os processos de aprendizagem da linguagem escrita, os transtornos específicos da linguagem escrita e os transtornos de aprendizagem da escrita associados a dificuldades na linguagem oral ou a outras condições neurológicas, sensoriais ou cognitivas.
Dificuldade de leitura e escrita é uma queixa, e não um diagnóstico. O que está por trás dela pode ou não ser fonoaudiológico, e por isso a queixa costuma ser examinada por mais de um profissional. A idade ou a série escolar, sozinhas, não dizem nada sobre uma criança específica.
Duas formas de atuação da fonoaudiologia se encontram aqui, e vale distingui-las. A clínica, em que o fonoaudiólogo avalia uma pessoa, num serviço de saúde. E a educacional, descrita na Resolução CFFa nº 387/2010, em que o fonoaudiólogo compõe a equipe de uma instituição de ensino e atua no planejamento educacional, na formação de professores e no diagnóstico institucional das situações de ensino e aprendizagem, em parceria com os educadores. Esta página trata principalmente da primeira, sem perder de vista a segunda.
Existe também uma lei específica sobre o tema. A Lei nº 14.254/2021 dispõe sobre o acompanhamento integral de educandos com dislexia, transtorno do déficit de atenção com hiperatividade ou outro transtorno de aprendizagem. Ela prevê que o poder público mantenha programa de acompanhamento integral, que inclui identificação precoce, encaminhamento para diagnóstico, apoio educacional na escola e terapia em serviço de saúde, e que as escolas apoiem o educando. Outros direitos ligados à escola, para estudantes com deficiência, estão reunidos em direitos da criança com deficiência na escola.
De onde vem a queixa e quem avalia
A queixa costuma chegar pela escola, que conversa com a família, ou pela própria família. Também pode partir do estudante, já adolescente, ou de um adulto que procura avaliação por exigência de um curso ou de um trabalho. Muitas famílias chegam ao serviço de saúde depois de um bilhete, de uma reunião ou de um relatório escolar. O site trata desse momento em escola pediu avaliação, e agora.
Também chegam pessoas que perderam parte da leitura e da escrita depois de uma lesão neurológica, como um AVC. Nesse caso, o tema se aproxima da fonoaudiologia após AVC.
O que está por trás da queixa é o que a avaliação examina, muitas vezes com mais de um profissional. A família não precisa chegar com uma hipótese, e nenhuma observação isolada, da escola ou da família, define o que a pessoa tem. Quem avalia a linguagem escrita é o fonoaudiólogo habilitado, e o percurso pode incluir médico, psicólogo e professores.
O que levar para a primeira consulta
- o bilhete ou o relatório da escola, se houver;
- cadernos e avaliações escolares recentes, se o profissional pedir;
- o pedido de encaminhamento e exames anteriores de audição ou de visão;
- as perguntas escritas, para não esquecer nenhuma na hora.
Como costuma ser a avaliação
A avaliação costuma começar pela história: o desenvolvimento da fala e da linguagem, a saúde, a audição e a visão, a vida escolar, as escolas por onde a criança passou, o método de ensino, a frequência às aulas, a rotina e o que motivou a procura. Relatórios e cadernos escolares costumam ajudar, e o profissional pode pedir que a família os leve.
Depois, o fonoaudiólogo observa a linguagem oral e a linguagem escrita, em situações conduzidas por ele, e pode usar instrumentos padronizados de avaliação, escolhidos conforme a idade escolar e a queixa. A avaliação costuma olhar para a leitura, a escrita, a compreensão do que se lê e a relação entre a fala e a escrita.
Como as questões de aprendizagem envolvem muitas áreas, a avaliação fonoaudiológica costuma fazer parte de um percurso maior, com médico, psicólogo, professores e outros profissionais. O fonoaudiólogo decide, caso a caso, se é preciso ouvir outros profissionais, e costuma conversar com a escola, com autorização da família.
Ao final, vem a devolutiva: o que foi observado, se há indicação de acompanhamento e de que forma a escola pode participar. Quando há acompanhamento, o profissional programa reavaliações conforme o caso, e a conclusão pode ser revista nelas.
Com que especialidade se relaciona
Entre as 16 especialidades reconhecidas pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia, a que trata diretamente da linguagem escrita na clínica é a Linguagem, da Resolução CFFa nº 320/2006. Na escola, a área se relaciona com a Fonoaudiologia Educacional, da Resolução CFFa nº 387/2010. Quando a queixa envolve a relação entre comunicação e cognição, conversa com a Neuropsicologia, cuja resolução, a CFFa nº 466/2015, prevê a atuação junto a pessoas com queixas comunicativas e cognitivas e com alterações associadas a quadros neurológicos, psiquiátricos e desenvolvimentais que afetam a comunicação.
O título de especialidade é uma qualificação concedida pelo conselho e pode ser conferido na consulta pública do CFFa. A lista completa está em especialidades da fonoaudiologia.
O que perguntar na primeira consulta
Perguntas que costumam ajudar a família, todas sobre o trabalho do profissional:
- Como vai ser a avaliação e quantos encontros ela costuma ter?
- Que documentos da escola ajudam, como relatórios, cadernos ou avaliações pedagógicas?
- Outros profissionais vão participar do percurso? Como o fonoaudiólogo se comunica com eles?
- O profissional conversa com a escola? Em que situações e com que autorização da família?
- Como a família recebe o resultado, por conversa, por relatório ou pelos dois?
- Se houver indicação de acompanhamento, como ele costuma ser organizado e reavaliado?
O caminho pelo SUS
Pelo SUS, a porta de entrada é a unidade básica de saúde. A equipe da unidade recebe a queixa, inclusive quando ela vem da escola, e organiza o encaminhamento quando há indicação. A Portaria GM/MS nº 635/2023 criou as eMulti, equipes multiprofissionais da atenção primária que podem incluir fonoaudiólogo, conforme a organização do município.
O encaminhamento para atendimento especializado segue a regulação da secretaria municipal de saúde, e o fluxo varia por cidade. A unidade básica informa como o caminho funciona na cidade, e o site descreve o percurso em fonoaudiólogo pelo SUS.
No particular e pelo plano de saúde, a avaliação é feita por fonoaudiólogo inscrito no conselho regional, em clínica ou consultório.
Em qualquer caminho, o que fazer depois da avaliação, se haverá acompanhamento e como a escola participa, é definido pelo profissional que avaliou, junto com a família. Esta página descreve a área e não substitui essa conversa.
Perguntas frequentes
Dificuldade para ler e escrever é sempre um transtorno?
A escola pode pedir avaliação fonoaudiológica?
O fonoaudiólogo diagnostica dislexia sozinho?
Onde procurar pelo SUS?
Fontes
- Resolução CFFa nº 320/2006, especialidades da fonoaudiologia, art. 4º, item 3 (Linguagem, alíneas sobre linguagem escrita)consultada em 28/10/2026
- Resolução CFFa nº 387/2010, atribuições na especialidade Fonoaudiologia Educacional, arts. 2º e 3ºconsultada em 28/10/2026
- Lei nº 14.254/2021, acompanhamento integral de educandos com dislexia, TDAH ou outro transtorno de aprendizagem, arts. 1º a 4º (Planalto)consultada em 28/10/2026
- Resolução CFFa nº 466/2015, atribuições na especialidade Neuropsicologia, art. 2ºconsultada em 28/10/2026
- Lei nº 6.965/1981, que regulamenta a profissão de fonoaudiólogo, art. 1º (Planalto)consultada em 28/10/2026
- Portaria GM/MS nº 635/2023, equipes multiprofissionais na atenção primária (eMulti), Anexo Iconsultada em 28/10/2026
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