Um novo medicamento para o tratamento da dermatite atópica em cães chegou ao mercado brasileiro. O atinvicitinibe, vendido sob a marca Numelvi, é o primeiro inibidor da JAK de segunda geração disponível no país. A doença afeta cerca de 15% dos cães.

    Segundo a veterinária Kathia Soares, coordenadora técnica da MSD Saúde Animal, o fármaco bloqueia enzimas ligadas à inflamação e ao prurido. Por ter um alvo específico, a ação é mais precisa, com menor risco de efeitos adversos e maior segurança para uso contínuo. O produto é o primeiro indicado para filhotes a partir dos 6 meses de idade, administrado em comprimidos.

    O diagnóstico da dermatite atópica canina é clínico e feito por exclusão, sem exame específico que confirme a doença. O veterinário avalia histórico do paciente, idade de início dos sinais, resposta a tratamentos anteriores e lesões características em face, orelhas, axilas, abdômen e patas. Também é necessário descartar outras causas, como infecções por fungos e bactérias, ectoparasitas e alergia alimentar.

    A segunda geração de inibidores de JAK se diferencia pela maior seletividade para a enzima JAK1, diretamente ligada ao prurido e à inflamação. Isso permite ação mais direcionada, com pouca interferência em outras funções do organismo e melhor perfil de segurança para tratamento prolongado.

    No Brasil, o Numelvi é indicado para cães a partir de 6 meses e com no mínimo 3 quilos. É o único da classe liberado para essa faixa etária, o que ajuda no tratamento de animais jovens que já apresentam sintomas alérgicos.

    Os efeitos observados em pequena proporção de animais foram vômito, diarreia, letargia e diminuição do apetite, todos leves e com desaparecimento espontâneo. Ao notar qualquer alteração, o responsável deve procurar atendimento veterinário.

    O tratamento da dermatite atópica exige abordagem integrada, com controle rigoroso de carrapatos e pulgas, uso de xampus terapêuticos e hidratantes para restaurar a barreira da pele, além de higiene ambiental para reduzir o contato com alérgenos como poeira. Identificar gatilhos alimentares e tratar infecções secundárias também fazem parte do plano terapêutico, que deve ser individualizado para cada paciente.

    Fátima Watanabe

    Formada em biblioteconomia pela UFMG, Fátima Watanabe começou na sua área escrevendo artigos sobre as obras de Dante Alighieri e sua importância dentro da literatura. Hoje, Fátima passa seus dias como pesquisadora de sua área, integrando o uso de palavras-chave na pesquisa didática e ainda escreve editoriais e artigos no Revista Top Saúde.

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