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Fonoaudiologia

O que é gagueira e como é a avaliação fonoaudiológica

O que é a gagueira, como a fonoaudiologia avalia a fluência da fala e o que perguntar na primeira consulta.

Redação da Revista Top Saúde · Publicado em · Revisado em

Conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas, sem revisão clínica. As fontes estão listadas no fim da página.

Profissão
Fonoaudiologia
Especialidade relacionada
Fluência (Resolução CFFa 507/2017)
No SUS
atenção básica e serviços especializados
Revisado em
28/10/2026

O que a área trata

Fluência é o nome que a fonoaudiologia dá à continuidade e ao ritmo da fala: o fluxo com que as palavras se encadeiam quando uma pessoa conversa, lê em voz alta ou se apresenta. A gagueira é um transtorno da fluência. É um tema antigo, conhecido de muitas famílias, e cercado de opiniões, conselhos e explicações que circulam sem nenhuma base.

O Conselho Federal de Fonoaudiologia trata a fluência em dois lugares. A Resolução CFFa nº 320/2006 já incluía, no campo da Linguagem, a fluência e os seus transtornos, citando a gagueira. Em 2017, a Resolução CFFa nº 507 estabeleceu as atribuições e competências da especialidade Fluência. Entre elas estão identificar os tipos de disfluência, típicas e atípicas, para o diagnóstico e a intervenção; orientar famílias e equipes de saúde e de educação; e atuar com crianças, adolescentes e adultos. A mesma resolução cita, como parte do conhecimento da área, o impacto psicossocial dos transtornos da fluência na qualidade de vida.

A base legal da profissão é a Lei nº 6.965/1981, que atribui ao fonoaudiólogo a avaliação e a terapia na comunicação oral e escrita. A avaliação da fluência é, portanto, atribuição do fonoaudiólogo habilitado, inscrito no conselho regional.

A distinção entre interrupções que fazem parte da fala de todos e um transtorno da fluência é técnica. O fato de a resolução falar em disfluências típicas e atípicas mostra isso. Ela é feita na avaliação fonoaudiológica, e não por comparação com outra pessoa, nem por um vídeo, nem por um texto como este.

De onde vem a queixa e quem avalia

Na infância, a queixa costuma partir da família ou da escola, quando a fala da criança chama a atenção de quem convive com ela. Também pode surgir na consulta de puericultura, com o pediatra ou com a equipe da unidade básica.

Na adolescência e na vida adulta, quem procura a fonoaudiologia costuma ser a própria pessoa, por iniciativa própria ou por indicação de outro profissional. Há também quem chegue depois de outra condição de saúde, como uma lesão neurológica, e nesse caso a avaliação costuma envolver a equipe que já acompanha a pessoa.

O que está por trás da queixa é o que a avaliação examina. Não é preciso chegar com uma hipótese nem com um nome para o que se percebe. Basta contar, com as próprias palavras, o que motivou a procura e desde quando a dúvida existe. Se a dúvida existe, ela já pode ir à próxima consulta, ou a uma consulta marcada só para isso, sem esperar uma data. Quem avalia é o fonoaudiólogo habilitado, e é ele quem diz se há um transtorno da fluência e o que fazer a respeito.

O que levar para a primeira consulta

  • o pedido de encaminhamento, se houver, e relatórios anteriores de saúde ou da escola;
  • anotações, com as próprias palavras, sobre o que motivou a procura;
  • a Caderneta da Criança, quando se trata de criança;
  • as perguntas escritas, para não esquecer nenhuma na hora.

Como costuma ser a avaliação

A avaliação costuma começar com uma conversa sobre a história da fala: quando a família ou a pessoa percebeu a mudança, como ela aparece em situações diferentes, se há casos na família, como está a vida escolar, social ou profissional e o que motivou a procura naquele momento. Com crianças, os pais e cuidadores participam bastante dessa etapa.

Em seguida, o fonoaudiólogo observa a fala em situações variadas, como conversa, leitura em voz alta, quando a pessoa já lê, e narração. A Resolução CFFa nº 507/2017 cita, como parte da área, protocolos de coleta de dados e avaliação qualitativa e quantitativa da fluência. Esse conhecimento faz parte da formação da especialidade.

A avaliação também costuma considerar como a pessoa se sente em relação à própria fala e o quanto a gagueira interfere no dia a dia. Esse aspecto aparece na própria resolução, que inclui o impacto psicossocial no campo de conhecimento da especialidade.

Ao final, o profissional faz a devolutiva: o que observou, se há indicação de acompanhamento e, se houver, como ele costuma ser organizado e reavaliado. O site trata da duração do acompanhamento, sem prometer número nenhum, em quanto tempo dura um acompanhamento.

Com que especialidade se relaciona

Entre as 16 especialidades reconhecidas pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia, a que trata diretamente deste tema é a Fluência, regida pela Resolução CFFa nº 507/2017. A Linguagem, um dos cinco campos originais da Resolução CFFa nº 320/2006, também inclui a fluência. Quando a mudança na fala tem origem neurológica, a área conversa com a Fonoaudiologia Neurofuncional. Quando a queixa aparece na escola, pode conversar com a Fonoaudiologia Educacional.

O título de especialidade é uma qualificação concedida pelo conselho e pode ser conferido na consulta pública do CFFa. Todo fonoaudiólogo habilitado pode avaliar a fluência. A página especialidades da fonoaudiologia explica a lista completa.

O que perguntar na primeira consulta

A primeira consulta é também o momento de entender o trabalho do profissional. Perguntas que costumam ajudar:

  • Como vai ser a avaliação da fluência e quantos encontros ela costuma ter?
  • A fala será registrada em áudio ou vídeo durante a avaliação? Como esse registro é guardado?
  • Como a pessoa, ou a família, recebe o resultado e o que ele vai conter?
  • Se houver indicação de acompanhamento, como ele costuma ser organizado e de que forma o andamento é reavaliado?
  • De que forma a família e a escola participam, quando se trata de criança?
  • O profissional atende pelo SUS ou pelo plano de saúde?

A pergunta sobre prazo de evolução não tem um número como resposta: depende do caso, e é a reavaliação periódica que mostra o caminho.

O caminho pelo SUS

Pelo SUS, a porta de entrada é a unidade básica de saúde. A equipe da unidade recebe a queixa e, conforme o caso, faz o encaminhamento. A Portaria GM/MS nº 635/2023 criou as equipes multiprofissionais da atenção primária, as eMulti, cuja composição pode incluir fonoaudiólogo. A presença desse profissional na atenção primária varia por município.

Quando há indicação de atendimento especializado, o encaminhamento costuma seguir a regulação da secretaria municipal de saúde. A Resolução CFFa nº 507/2017 cita, entre os locais de atuação em fluência, as equipes de saúde da família, os ambulatórios de especialidades e os Centros Especializados em Reabilitação, os CER, previstos na Portaria de Consolidação GM/MS nº 3/2017. O fluxo de cada cidade é informado pela unidade básica. O site descreve o percurso em fonoaudiólogo pelo SUS e em o que é o CER.

No atendimento particular ou pelo plano de saúde, a avaliação é feita em consultório ou clínica, por fonoaudiólogo inscrito no conselho regional.

Em todos os caminhos, o que acontece depois da avaliação, se haverá acompanhamento e de que forma, é definido pelo profissional que avaliou, junto com a pessoa ou com a família. Esta página descreve a área e não substitui essa conversa.

Perguntas frequentes

Gagueira tem tratamento?
A fluência e os seus transtornos são uma área de atuação reconhecida da fonoaudiologia, com especialidade própria, a Fluência. O que o acompanhamento envolve, se ele é indicado e como é organizado, depende da avaliação de cada pessoa, e o site não promete resultado nem prazo.
Toda interrupção na fala é gagueira?
A distinção entre interrupções que fazem parte da fala de todos e um transtorno da fluência é feita na avaliação fonoaudiológica, e não por observação isolada. A resolução do CFFa sobre Fluência trata essa distinção como parte do trabalho técnico do fonoaudiólogo.
Adulto que gagueja pode procurar avaliação?
Sim. A Resolução CFFa 507/2017 prevê a atuação em fluência com crianças, adolescentes e adultos, em serviços públicos e privados.
Onde procurar pelo SUS?
Na unidade básica de saúde, que é a porta de entrada. Se houver indicação de atendimento especializado, o encaminhamento segue a regulação do município, e um dos pontos possíveis é o Centro Especializado em Reabilitação.

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