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Não há dose segura de cigarro ou vape na gravidez, diz médica

Ginecologista explica por que reduzir o consumo não elimina riscos e por que fumo passivo e cigarro eletrônico também ameaçam o bebê

Por · · 4 min de leitura
Não há dose segura de cigarro ou vape na gravidez, diz médica

Não existe quantidade segura de cigarro, cigarro eletrônico ou exposição à fumaça de terceiros durante a gravidez, segundo a ginecologista e obstetra Gisele Maciel, mestre em Saúde da Criança e da Mulher. A afirmação foi feita em reportagem publicada pela Rádio Itatiaia neste sábado (29 de agosto de 2026), data em que se celebra o Dia Nacional de Combate ao Fumo.

De acordo com a médica, não é possível estabelecer um número máximo de cigarros por dia, uma frequência de uso do vape ou um tempo de exposição à fumaça que garanta ausência de risco para a gestante e para o feto. A orientação vale tanto para quem fuma diretamente quanto para quem convive com fumantes.

Por que reduzir o consumo não é o mesmo que eliminar o risco

Segundo a especialista ouvida pela Rádio Itatiaia, algumas mulheres que fumavam antes de engravidar diminuem o número de cigarros ao descobrir a gestação, na expectativa de que um consumo baixo, de dois ou três cigarros diários, não traga consequências. Do ponto de vista médico, essa margem de segurança não existe.

A explicação está na ação de duas substâncias presentes no cigarro convencional. A nicotina provoca vasoconstrição e pode comprometer o fluxo sanguíneo entre útero e placenta, enquanto o monóxido de carbono reduz a quantidade de oxigênio disponível para o feto, conforme detalhou Gisele Maciel à Rádio Itatiaia.

O tabagismo na gestação está associado a alterações na placenta, restrição de crescimento fetal, baixo peso ao nascer, parto prematuro e, em casos mais graves, morte fetal. A médica reforça que, embora alguns desses riscos cresçam conforme aumenta o número de cigarros consumidos, isso não torna o consumo reduzido uma opção segura: a meta recomendada é a interrupção total, sendo a diminuição apenas uma etapa possível nesse processo.

Cigarro eletrônico não é alternativa segura na gestação

O vape também não deve ser considerado opção de menor risco durante a gravidez, de acordo com a ginecologista. Ela aponta um problema adicional a esse produto: a percepção equivocada de que ele libera apenas vapor de água ou representa alternativa inofensiva ao cigarro tradicional.

Na prática, o dispositivo produz um aerossol que pode conter nicotina, partículas ultrafinas e outras substâncias químicas. A nicotina atravessa a placenta e pode interferir no desenvolvimento fetal, incluindo a formação do sistema nervoso do bebê. A especialista alerta ainda que produtos comercializados como livres de nicotina não devem ser tratados como seguros, já que essa composição nem sempre é garantida.

Fumo passivo expõe gestante mesmo sem ela fumar

A exposição à fumaça de outras pessoas também representa risco durante a gestação, segundo a médica. A gestante não precisa fumar para entrar em contato com as substâncias tóxicas liberadas pela combustão do cigarro, e essa exposição passiva já foi associada a menor peso ao nascer, alterações no crescimento fetal e maior risco de natimortalidade.

Por esse motivo, estratégias como fumar próximo a uma janela, em outro cômodo da casa ou a alguns metros de distância da gestante não eliminam o risco. A orientação da especialista é que ambientes como casa e carro fiquem completamente livres de fumaça durante toda a gravidez.

O que fazer na prática

A ginecologista recomenda que qualquer redução no consumo de cigarro ou vape durante a gestação seja vista como avanço, mas nunca como ponto final: o objetivo deve ser zerar completamente a exposição, seja ao cigarro convencional, ao cigarro eletrônico ou à fumaça produzida por terceiros. Ela também defende que essa orientação seja transmitida sem culpabilizar a gestante, já que a dependência de nicotina é uma condição que dificulta a interrupção do hábito por conta própria.

O que ainda falta esclarecer

A reportagem não detalha protocolos específicos de apoio à cessação do tabagismo oferecidos durante o pré-natal no Brasil, nem estatísticas nacionais sobre prevalência de tabagismo em gestantes. Para quem fuma ou vive com fumantes durante a gravidez, o passo recomendado é buscar orientação médica no acompanhamento pré-natal, que pode indicar estratégias de cessação adequadas a cada caso, em vez de tentar reduzir o consumo isoladamente com base na expectativa de que pouco cigarro seja inofensivo.

Fontes consultadas

Mais sobre isso: o caderno de bem estar da Revista Top Saúde e as reportagens de alimentação.

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