Dia de Combate ao Fumo: riscos do cigarro e do vape
Data de 29 de agosto reforça alerta sobre tabagismo e chama atenção para o avanço dos cigarros eletrônicos entre jovens
O Brasil marca neste sábado, 29 de agosto de 2026, o Dia Nacional de Combate ao Fumo, data instituída pela Lei Federal nº 7.488, de 1986, que completa quatro décadas em 2026. A mobilização reforça o alerta sobre os danos do tabagismo e chama atenção para um problema mais recente: o uso crescente de cigarros eletrônicos, sobretudo entre adolescentes e adultos jovens, segundo informações do Instituto Nacional de Câncer (INCA) e do Ministério da Saúde compiladas pelo Portal Piauí Hoje.
Por que o tabagismo é tratado como doença crônica
O INCA classifica o tabagismo como uma doença crônica, resultado da dependência causada pela nicotina. A condição não se limita ao hábito de fumar: envolve mecanismos físicos e comportamentais que tornam o abandono do cigarro um processo que, para muitas pessoas, exige acompanhamento especializado.
O consumo de derivados do tabaco está associado a diferentes tipos de câncer, além de doenças cardiovasculares, respiratórias, infarto e acidente vascular cerebral (AVC), de acordo com o mesmo levantamento. A fumaça do cigarro contém milhares de substâncias químicas, das quais uma parte é tóxica e dezenas têm potencial cancerígeno.
Os efeitos não se restringem a quem fuma diretamente. Pessoas expostas à fumaça de forma regular, o chamado tabagismo passivo, também correm riscos à saúde. Crianças, gestantes, idosos e pessoas com doenças respiratórias exigem atenção redobrada em ambientes com exposição à fumaça.
Cigarro eletrônico não é opção livre de risco
Os dispositivos eletrônicos para fumar, conhecidos popularmente como vape ou pod, tornaram-se um dos principais focos das políticas de prevenção ao tabagismo. Formatos discretos, variedade de aromas e a percepção de que seriam menos nocivos ajudam a explicar a atração desses produtos entre o público jovem.
Essa percepção, porém, não corresponde à evidência disponível. O aerossol produzido pelos dispositivos não é vapor de água simples: a depender do produto, o usuário fica exposto a nicotina e a outras substâncias potencialmente prejudiciais à saúde.
No Brasil, a fabricação, importação, comercialização, distribuição, armazenamento, transporte e propaganda de cigarros eletrônicos permanecem proibidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), conforme a regulamentação sanitária em vigor. Isso significa que, mesmo com a circulação informal desses produtos no país, não existe autorização regulatória para sua venda.
O que fazer para buscar tratamento pelo SUS
A dependência de nicotina combina fatores físicos, psicológicos e comportamentais, e por isso não deve ser tratada apenas como uma questão de força de vontade. Algumas pessoas conseguem parar de fumar sem apoio externo, mas outras se beneficiam de acompanhamento profissional e, quando indicado, de tratamento medicamentoso.
Quem deseja abandonar o cigarro pode procurar atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cuidado costuma incluir avaliação clínica, orientação individual ou em grupo e acompanhamento contínuo, com uso de medicamentos quando há indicação, seguindo os protocolos do Ministério da Saúde.
O caminho recomendado é buscar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) do município de residência e verificar a oferta do Programa Nacional de Controle do Tabagismo na região. Informações adicionais também podem ser obtidas pelo Disque Saúde 136, serviço do Ministério da Saúde.
Benefícios de parar de fumar aparecem com o tempo
Os ganhos à saúde começam pouco depois da interrupção do consumo e se acumulam progressivamente. A cessação do tabagismo reduz riscos cardiovasculares e respiratórios de forma gradual, mesmo entre pessoas que fumaram por muitos anos.
O processo de abstinência pode gerar sintomas como irritabilidade, ansiedade, dificuldade de concentração e vontade intensa de fumar, o que reforça a importância do acompanhamento profissional durante o tratamento.
O que muda na prática para quem quer parar de fumar
A data reforça uma mensagem que não é nova, mas ganha urgência com o avanço dos cigarros eletrônicos entre jovens: prevenir o início do consumo, proteger quem não fuma da exposição à fumaça e garantir tratamento a quem já é dependente. Para o leitor que fuma ou convive com fumantes, o passo prático é buscar a UBS mais próxima e perguntar sobre o Programa Nacional de Controle do Tabagismo, que oferece acompanhamento sem custo pelo SUS.
Sobre os vapes, o ponto de atenção é que a proibição da Anvisa segue valendo no Brasil, o que não impede a circulação informal desses produtos nem elimina os riscos à saúde de quem os usa. Não há, segundo as informações disponíveis, alternativa segura ao cigarro convencional entre os dispositivos eletrônicos, e qualquer decisão sobre parar de fumar ganha mais chance de sucesso quando feita com apoio profissional, e não isoladamente.
Fontes consultadas
Mais sobre isso: o que a revista publicou sobre notícias e o caderno de dicas da Revista Top Saúde.



