A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) atualizou a lista de substâncias proibidas em produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes vendidos no Brasil. A medida, anunciada nesta semana, baniu dois ingredientes comuns em fragrâncias: o Lilial (butilfenil metilpropional) e o Lyral (HICC).
De acordo com a Anvisa, a revisão das regras busca alinhar a regulamentação brasileira à dos países do Mercosul. As duas substâncias já eram proibidas ou restritas em outros mercados, como na União Europeia (UE), que baniu o Lilial em cosméticos em 2022 e o Lyral em 2021.
Na Europa, a proibição do Lilial foi motivada por estudos que sugerem que a substância pode ser tóxica para o sistema reprodutivo. O Lyral foi suspenso por causar reações alérgicas de contato.
Marcas afetadas
Os compostos estão presentes em produtos de diversas marcas vendidas no Brasil. Entre elas estão Giovanna Baby, Johnson’s Baby, Baruel, Bozzano, Dauf, Bio Extratus, Tra Lá Lá Kids, Cia da Natureza, Needs e Jequiti.
A Anvisa concedeu um prazo de 18 meses para que as empresas ajustem seus produtos às novas regras.
Produtos com Lilial
O Lilial é uma fragrância sintética que dá um aroma floral, semelhante ao do lírio-do-vale. A lista de produtos que usam a substância é extensa. Entre os exemplos estão desodorantes e loções da linha Giovanna Baby, o Óleo Corporal de Amêndoas da Johnson’s Baby, repelentes da marca Off!, desodorantes e shampoos da Tra Lá Lá Kids, colônias e condicionadores da Baruel, protetores solares da Dauf, produtos da Bio Extratus, a linha Turma da Mônica da Jequiti, loções da Needs e itens da Cia da Natureza.
Produtos com Lyral
O Lyral também confere um aroma floral aos produtos. Alguns exemplos de cosméticos que contêm a substância são o hidratante Abelha Rainha, o shampoo Aquarela Teen, a colônia Avatim Curumim, toalhas umedecidas Baby Byn e Meu Bebê, a colônia Baruel Baby Lavanda, produtos da Cia da Natureza com a Hello Kitty, desodorantes da Giovanna Baby, cremes da Tra Lá Lá Kids e o repelente Xô Inseto!.
Riscos à saúde
Em estudos com animais, o Lilial mostrou potencial para causar danos ao sistema reprodutivo, especialmente aos testículos de machos. O composto também apresentou propriedades irritantes para a pele e os olhos em testes com coelhos. Pesquisas de laboratório sugerem que o Lilial e o Lyral podem ser tóxicos para as mitocôndrias, estruturas que fornecem energia às células.
Em 2020, o grupo ativista Environmental Working Group (EWG) incluiu o Lilial em sua lista de ingredientes considerados “inaceitáveis”, devido a preocupações com efeitos alergênicos, imunotóxicos e prejudiciais aos hormônios.
Não há, porém, pesquisas conclusivas que comprovem esses efeitos em humanos. Uma pesquisa publicada na revista Nature não encontrou evidências de que o químico cause alterações na regulação hormonal. Mesmo assim, os resultados existentes levaram a União Europeia a classificá-lo como tóxico para a reprodução e bani-lo em 2022.
O Lyral é estudado desde o início dos anos 2000 como causador de dermatite alérgica de contato. A UE o proibiu em 2021 devido ao alto número de alergias relatadas.

