Artrose no quadril: os primeiros sinais, os graus do desgaste e quando a prótese entra
A artrose no quadril começa com dor na virilha ao calçar o sapato; tratar cedo adia a prótese por anos.
Homem examinando uma radiografia da bacia sobre a mesa
O primeiro sinal raramente é dor. É a dificuldade de calçar o sapato do lado direito, o tênis que passa a ser amarrado com o pé apoiado numa cadeira, a perna que não cruza mais como antes. A pessoa atribui à idade ou ao peso e só procura ajuda meses depois, quando a virilha começa a doer na caminhada. A artrose no quadril tem essa característica: começa pela perda de movimento e só depois pela dor, e por isso é diagnosticada tarde com frequência.
O desgaste da cartilagem que reveste a cabeça do fêmur e a cavidade da bacia é lento e progressivo, mas o ritmo varia muito entre pessoas, e é aí que o tratamento faz diferença. Um ortopedista especialista em dor no quadril classifica o desgaste em graus pela radiografia e ajusta a conduta a cada um; nos graus iniciais, o objetivo é adiar a prótese por anos, e isso é possível na maioria dos casos.
O que se desgasta e por quê
Cartilagem é a camada lisa que cobre as duas superfícies ósseas e permite que deslizem sem atrito. Com o tempo, ela afina, fissura e deixa áreas de osso expostas; o osso responde ficando mais denso e formando bicos na borda, os osteófitos, e a cápsula engrossa. É essa combinação que tira a rotação e depois causa dor.
Os motivos mais frequentes são a idade, o excesso de peso, a displasia, o impacto femoroacetabular que desgasta o lábio na juventude, sequelas de fratura e doenças da infância como a doença de Perthes. Em muitos casos há mais de um fator, e em outros nenhum identificável.
Artrose no quadril: os graus e o que muda em cada um
Pela radiografia da bacia em pé, a classificação mais usada é a de Kellgren e Lawrence.
| Grau | O que a radiografia mostra | O que a pessoa sente | Conduta habitual |
|---|---|---|---|
| Grau 1, duvidoso | Espaço articular preservado, osteófito mínimo | Pouco ou nada; rigidez ocasional ao levantar | Fortalecimento, peso, atividade sem impacto |
| Grau 2, leve | Osteófitos definidos, espaço pouco reduzido | Dor na virilha ao esforço, dificuldade para calçar sapato | Fisioterapia, perda de peso, analgésico em crise |
| Grau 3, moderado | Espaço reduzido, esclerose do osso, deformidade inicial | Dor ao andar, mancar ao fim do dia, rotação muito limitada | Tudo acima; infiltração; discutir prótese se limita |
| Grau 4, grave | Osso encostando em osso, cistos, deformidade | Dor em repouso e à noite, encurtamento da perna | Prótese total do quadril |
| Qualquer grau com causa mecânica | Displasia ou impacto associados | Sintomas em pessoa jovem | Cirurgia preservadora quando a cartilagem ainda permite |
Os sinais na ordem em que aparecem
Na sequência típica, que pode levar anos:
- Dificuldade para calçar o sapato, cortar a unha do pé e cruzar a perna, porque a rotação interna foi a primeira a sumir.
- Rigidez ao levantar da cadeira ou da cama, que passa em poucos passos.
- Dor na virilha ao esforço, como subir escada e caminhar mais longe, às vezes sentida no joelho.
- Passo mais curto e mancar discreto no fim do dia.
- Dor ao repouso e à noite, ao virar na cama.
- Encurtamento aparente da perna e limitação para atividades básicas.
O diagnóstico
No consultório, o exame físico mostra a perda de rotação interna e a dor ao dobrar e girar o quadril. A radiografia da bacia em pé, com as duas articulações, confirma e classifica. Ressonância entra quando a radiografia é normal e há suspeita de lesão do lábio ou de necrose da cabeça do fêmur. Exame de sangue não diagnostica artrose; serve para afastar artrite inflamatória quando a rigidez matinal passa de uma hora.
O tratamento que adia a prótese
Nos graus 1 a 3, quatro medidas mudam o curso. Fortalecer o glúteo e o quadríceps com carga progressiva, duas a três vezes por semana. Perder peso quando há excesso: cada quilo a menos tira três a quatro quilos de carga da articulação a cada passo. Manter atividade sem impacto, como bicicleta, natação e caminhada em piso plano. E ajustar hábitos, como cadeira mais alta e pausas ao sentar. Analgésico simples e anti-inflamatório entram em crise, por poucos dias. Infiltração com corticoide alivia crise; ácido hialurônico ajuda nos graus leves e moderados. Condroprotetores orais têm evidência fraca e não recuperam cartilagem.
Quando a prótese entra
Quem indica a prótese não é o grau da radiografia, e sim a dor e a limitação: dor noturna, dificuldade para andar distâncias curtas e para as tarefas básicas, apesar de tratamento bem feito por meses. A prótese total substitui as duas superfícies, alivia a dor em semanas e devolve a rotação. Dura de 20 a 25 anos na maioria dos casos, e por isso, em pessoas mais jovens, tenta-se adiar sem deixar a pessoa sofrer por anos, porque músculo que atrofia na espera dificulta a recuperação.
Artrose em quem tem menos de 50 anos
Desgaste em pessoa jovem quase sempre tem causa mecânica: displasia, impacto femoroacetabular ou sequela. Nesses casos existem cirurgias que preservam a articulação, como a artroscopia para o impacto e a osteotomia para a displasia, indicadas enquanto a cartilagem ainda está razoável. Descobrir a causa cedo é o que abre essa porta.
O que evitar
Repouso absoluto, que enfraquece o glúteo e piora a rigidez. Corrida em asfalto e esportes de impacto na fase sintomática. Anti-inflamatório contínuo por meses, pelos efeitos no estômago, rins e pressão. Alongamento forçado da rotação, que inflama a cápsula. E esperar a dor ficar insuportável para procurar avaliação, porque a musculatura perdida nesse intervalo não volta sozinha.
Perguntas frequentes sobre o desgaste da articulação
Artrose no quadril tem cura?
Cartilagem perdida não volta, mas a progressão pode ser adiada por anos e a prótese resolve a dor nos casos avançados.
Quais os primeiros sintomas?
Sapato difícil de calçar, perna que não cruza, rigidez ao levantar e dor na virilha ao esforço, nessa ordem.
Artrose no quadril grau 2 é grave?
Não. É a fase leve, com espaço articular pouco reduzido. Fortalecimento e peso controlam por anos.
Pode caminhar?
Pode e deve, em piso plano e com distância que não deixe dor no dia seguinte. Bicicleta e natação são ainda melhores.
Quando fazer a prótese?
Quando a dor limita o dia e a noite apesar de meses de tratamento, independentemente do grau da radiografia.
Qual exame confirma?
Radiografia da bacia em pé, com as duas articulações. Ressonância só quando a radiografia é normal e há suspeita de outra lesão.
Resumo
A artrose no quadril começa pela perda de rotação, com o sapato difícil de calçar, e só depois pela dor na virilha. A radiografia classifica em quatro graus; nos três primeiros, fortalecer o glúteo, perder peso, manter atividade sem impacto e ajustar hábitos adiam a prótese por anos. A prótese entra quando a dor limita apesar disso, e em jovens a causa mecânica pode ter cirurgia que preserva a articulação.


