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Corpo e Mente

Artrose no quadril: os primeiros sinais, os graus do desgaste e quando a prótese entra

A artrose no quadril começa com dor na virilha ao calçar o sapato; tratar cedo adia a prótese por anos.

Por · · 6 min de leitura
Homem examinando uma radiografia da bacia sobre a mesa

Homem examinando uma radiografia da bacia sobre a mesa

O primeiro sinal raramente é dor. É a dificuldade de calçar o sapato do lado direito, o tênis que passa a ser amarrado com o pé apoiado numa cadeira, a perna que não cruza mais como antes. A pessoa atribui à idade ou ao peso e só procura ajuda meses depois, quando a virilha começa a doer na caminhada. A artrose no quadril tem essa característica: começa pela perda de movimento e só depois pela dor, e por isso é diagnosticada tarde com frequência.

O desgaste da cartilagem que reveste a cabeça do fêmur e a cavidade da bacia é lento e progressivo, mas o ritmo varia muito entre pessoas, e é aí que o tratamento faz diferença. Um ortopedista especialista em dor no quadril classifica o desgaste em graus pela radiografia e ajusta a conduta a cada um; nos graus iniciais, o objetivo é adiar a prótese por anos, e isso é possível na maioria dos casos.

O que se desgasta e por quê

Cartilagem é a camada lisa que cobre as duas superfícies ósseas e permite que deslizem sem atrito. Com o tempo, ela afina, fissura e deixa áreas de osso expostas; o osso responde ficando mais denso e formando bicos na borda, os osteófitos, e a cápsula engrossa. É essa combinação que tira a rotação e depois causa dor.

Os motivos mais frequentes são a idade, o excesso de peso, a displasia, o impacto femoroacetabular que desgasta o lábio na juventude, sequelas de fratura e doenças da infância como a doença de Perthes. Em muitos casos há mais de um fator, e em outros nenhum identificável.

Artrose no quadril: os graus e o que muda em cada um

Pela radiografia da bacia em pé, a classificação mais usada é a de Kellgren e Lawrence.

GrauO que a radiografia mostraO que a pessoa senteConduta habitual
Grau 1, duvidosoEspaço articular preservado, osteófito mínimoPouco ou nada; rigidez ocasional ao levantarFortalecimento, peso, atividade sem impacto
Grau 2, leveOsteófitos definidos, espaço pouco reduzidoDor na virilha ao esforço, dificuldade para calçar sapatoFisioterapia, perda de peso, analgésico em crise
Grau 3, moderadoEspaço reduzido, esclerose do osso, deformidade inicialDor ao andar, mancar ao fim do dia, rotação muito limitadaTudo acima; infiltração; discutir prótese se limita
Grau 4, graveOsso encostando em osso, cistos, deformidadeDor em repouso e à noite, encurtamento da pernaPrótese total do quadril
Qualquer grau com causa mecânicaDisplasia ou impacto associadosSintomas em pessoa jovemCirurgia preservadora quando a cartilagem ainda permite

Os sinais na ordem em que aparecem

Na sequência típica, que pode levar anos:

  1. Dificuldade para calçar o sapato, cortar a unha do pé e cruzar a perna, porque a rotação interna foi a primeira a sumir.
  2. Rigidez ao levantar da cadeira ou da cama, que passa em poucos passos.
  3. Dor na virilha ao esforço, como subir escada e caminhar mais longe, às vezes sentida no joelho.
  4. Passo mais curto e mancar discreto no fim do dia.
  5. Dor ao repouso e à noite, ao virar na cama.
  6. Encurtamento aparente da perna e limitação para atividades básicas.

O diagnóstico

No consultório, o exame físico mostra a perda de rotação interna e a dor ao dobrar e girar o quadril. A radiografia da bacia em pé, com as duas articulações, confirma e classifica. Ressonância entra quando a radiografia é normal e há suspeita de lesão do lábio ou de necrose da cabeça do fêmur. Exame de sangue não diagnostica artrose; serve para afastar artrite inflamatória quando a rigidez matinal passa de uma hora.

O tratamento que adia a prótese

Nos graus 1 a 3, quatro medidas mudam o curso. Fortalecer o glúteo e o quadríceps com carga progressiva, duas a três vezes por semana. Perder peso quando há excesso: cada quilo a menos tira três a quatro quilos de carga da articulação a cada passo. Manter atividade sem impacto, como bicicleta, natação e caminhada em piso plano. E ajustar hábitos, como cadeira mais alta e pausas ao sentar. Analgésico simples e anti-inflamatório entram em crise, por poucos dias. Infiltração com corticoide alivia crise; ácido hialurônico ajuda nos graus leves e moderados. Condroprotetores orais têm evidência fraca e não recuperam cartilagem.

Quando a prótese entra

Quem indica a prótese não é o grau da radiografia, e sim a dor e a limitação: dor noturna, dificuldade para andar distâncias curtas e para as tarefas básicas, apesar de tratamento bem feito por meses. A prótese total substitui as duas superfícies, alivia a dor em semanas e devolve a rotação. Dura de 20 a 25 anos na maioria dos casos, e por isso, em pessoas mais jovens, tenta-se adiar sem deixar a pessoa sofrer por anos, porque músculo que atrofia na espera dificulta a recuperação.

Artrose em quem tem menos de 50 anos

Desgaste em pessoa jovem quase sempre tem causa mecânica: displasia, impacto femoroacetabular ou sequela. Nesses casos existem cirurgias que preservam a articulação, como a artroscopia para o impacto e a osteotomia para a displasia, indicadas enquanto a cartilagem ainda está razoável. Descobrir a causa cedo é o que abre essa porta.

O que evitar

Repouso absoluto, que enfraquece o glúteo e piora a rigidez. Corrida em asfalto e esportes de impacto na fase sintomática. Anti-inflamatório contínuo por meses, pelos efeitos no estômago, rins e pressão. Alongamento forçado da rotação, que inflama a cápsula. E esperar a dor ficar insuportável para procurar avaliação, porque a musculatura perdida nesse intervalo não volta sozinha.

Perguntas frequentes sobre o desgaste da articulação

Artrose no quadril tem cura?

Cartilagem perdida não volta, mas a progressão pode ser adiada por anos e a prótese resolve a dor nos casos avançados.

Quais os primeiros sintomas?

Sapato difícil de calçar, perna que não cruza, rigidez ao levantar e dor na virilha ao esforço, nessa ordem.

Artrose no quadril grau 2 é grave?

Não. É a fase leve, com espaço articular pouco reduzido. Fortalecimento e peso controlam por anos.

Pode caminhar?

Pode e deve, em piso plano e com distância que não deixe dor no dia seguinte. Bicicleta e natação são ainda melhores.

Quando fazer a prótese?

Quando a dor limita o dia e a noite apesar de meses de tratamento, independentemente do grau da radiografia.

Qual exame confirma?

Radiografia da bacia em pé, com as duas articulações. Ressonância só quando a radiografia é normal e há suspeita de outra lesão.

Resumo

A artrose no quadril começa pela perda de rotação, com o sapato difícil de calçar, e só depois pela dor na virilha. A radiografia classifica em quatro graus; nos três primeiros, fortalecer o glúteo, perder peso, manter atividade sem impacto e ajustar hábitos adiam a prótese por anos. A prótese entra quando a dor limita apesar disso, e em jovens a causa mecânica pode ter cirurgia que preserva a articulação.

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