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Planos de saúde: a insegurança na hora de decidir qual contratar

Por · · 5 min de leitura
Planos de saúde: a insegurança na hora de decidir qual contratar

A cobertura dos planos de saúde no Brasil tornou-se, ao longo dos últimos anos, um dos temas mais sensíveis para consumidores, profissionais da saúde e órgãos reguladores. Em um país onde o Sistema Único de Saúde (SUS) enfrenta limitações estruturais e demora no atendimento, a contratação de um plano de saúde privado é vista, por milhões de brasileiros, como sinônimo de segurança e acesso mais rápido a consultas, exames e tratamentos.

No entanto, a realidade tem mostrado que essa sensação de proteção muitas vezes vem acompanhada de insegurança, frustração e conflitos, especialmente quando o assunto é cobertura, reajustes de valores e regras contratuais pouco claras.

Um mercado amplo, mas altamente insatisfatório, segundo os usuários

Segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), mais de 50 milhões de brasileiros possuem algum tipo de plano de saúde. Apesar da dimensão do mercado, as reclamações contra operadoras seguem em patamares elevados.

A principal queixa diz respeito à negativa de cobertura, situação em que o consumidor descobre, no momento de maior vulnerabilidade - diante de uma doença ou urgência médica - que determinado procedimento, exame ou medicamento não está incluído no contrato.

Para especialistas do setor, parte desse problema poderia ser mitigada com orientação adequada no momento da contratação.

Muita gente escolhe plano de saúde com base no preço ou em busca de nomes tradicionais do setor sem se atentar que a variação de valores e categorias dentro de uma mesma operadora, muda as coberturas e rede credenciada. É preciso saber detalhadamente o que se está contratando para não gerar frustração futura. É fundamental a assessoria de um corretor de seguros ético e empático às necessidades do cliente.” - afirma Juliano Rodrigues, fundador da JRQ Saúde, uma corretora de planos de saúde das mais tradicionais no mercado.

Os contratos de planos de saúde são extensos, repletos de termos técnicos e redações complexas, que dificultam a compreensão por parte do consumidor médio. O resultado é que muitos usuários acreditam estar contratando uma cobertura ampla, quando, na prática, o plano possui limitações significativas.

Nesse contexto, a atuação de uma corretora especializada pode funcionar como tradutora entre o contrato e o consumidor.

O corretor não faz milagre e não muda regra de operadora, mas uma boa corretora explica onde o cliente está pisando”, resume Juliano Rodrigues.

O rol da ANS e os conflitos sobre cobertura

Um ponto sensível é o Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS, que define a lista mínima obrigatória de exames, consultas e tratamentos que os planos devem cobrir.

Embora a agência atualize periodicamente esse rol, a velocidade da inovação médica e o surgimento de novos tratamentos fazem com que ele esteja frequentemente defasado.

Isso gera disputas judiciais, sobretudo em casos de terapias oncológicas, medicamentos de alto custo e tratamentos para doenças raras.

Segundo profissionais do setor, muitos consumidores só tomam conhecimento do rol quando enfrentam uma negativa. A pergunta certa não é só se  ‘o plano cobre’, mas ‘em que condições cobre‘.

Reajustes de valores

Além da cobertura, o fator financeiro é outro grande elemento de insegurança. Os reajustes anuais dos planos individuais são regulados pela ANS, mas os planos coletivos, empresariais ou por adesão, que representam a maioria dos contratos no país, não possuem um teto definido de reajuste.

Na prática, isso significa que muitos consumidores enfrentam aumentos expressivos, por vezes acima da inflação e da capacidade de pagamento, sem clareza sobre os critérios utilizados pelas operadoras.

Aqui novamente entra a importância da assessoria:

Não existe plano imune a reajuste. O que dá para fazer é escolher melhor o tipo de contrato, entender o histórico da operadora ao contratar plano de saúde. Ou então, contar novamente com a assessoria do corretor para realizar a troca de plano com o melhor aproveitamento de carência possível.”, afirma Juliano Rodrigues.

Carências: um impeditivo pouco compreendido

Outro impeditivo relevante é o período de carência. Embora previsto em lei, ele ainda gera confusão e insatisfação.

Em situações de urgência e emergência, a cobertura deve ocorrer após 24 horas da contratação, mas procedimentos mais complexos podem exigir carências de até 180 dias, e partos, até 300 dias.

A falta de informação clara faz com que muitos consumidores descubram essas restrições apenas quando tentam utilizar o serviço.

Segundo especialistas, esse é um dos pontos mais negligenciados na venda direta online.

A corretora tem obrigação de explicar carência, coparticipação e regras de portabilidade. Não é detalhe técnico, é parte central do contrato”, reforça Juliano Rodrigues.

Regulação, desequilíbrio e judicialização

Do ponto de vista regulatório, especialistas apontam que, apesar dos avanços promovidos pela ANS, ainda há um desequilíbrio na relação entre operadoras e consumidores. A judicialização da saúde suplementar é reflexo direto dessa assimetria. Milhares de ações são movidas anualmente para garantir acesso a tratamentos negados.

A insegurança na contratação também afeta pequenas e médias empresas, que oferecem planos de saúde como benefício aos funcionários. A oscilação de preços, a dificuldade de prever reajustes e a complexidade dos contratos tornam a gestão desse benefício um desafio crescente, impactando decisões de contratação e retenção de talentos.

Nesse cenário, cresce a importância da informação e da orientação especializada. Entidades de defesa do consumidor alertam para a necessidade de leitura atenta do contrato, comparação entre diferentes operadoras e, sempre que possível, o apoio de corretores qualificados e independentes.

Transparência, clareza e educação do consumidor são apontadas como pilares fundamentais para reduzir conflitos e expectativas frustradas.

Corretor bom não promete o que não existe. Ele orienta, explica e acompanha. Dá para contratar com muito mais consciência.” - resume Juliano Rodrigues, da JRQ Saúde.

Um debate que ultrapassa o indivíduo

Em meio a um sistema de saúde cada vez mais pressionado, o debate sobre a cobertura dos planos de saúde ultrapassa a esfera individual e se torna uma questão de política social e econômica.

A busca por equilíbrio entre sustentabilidade financeira das operadoras e proteção efetiva do consumidor segue como um dos maiores desafios do setor. Enquanto isso, milhões de brasileiros continuam convivendo com a incerteza de saber se, quando mais precisarem, estarão de fato cobertos.

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